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Atualizado às: 05 de janeiro, 2004 - 10h02 GMT (08h02 Brasília)
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Telemarketing 'migra' de países ricos para pobres; Brasil terá 'boom'

teclado de telefone

Com o avanço da tecnologia e das telecomunicações, as empresas dos países desenvolvidos estão transferindo empregos da área de serviços para os países em desenvolvimento.

São postos em centros de atendimento a clientes, os chamados call centers, e também em alta tecnologia, como a produção de softwares.

Um estudo da consultoria americana Forrester prevê que 3,3 milhões de empregos na área de serviços vão migrar dos Estados Unidos para países em desenvolvimento nos próximos 12 anos.

Por enquanto, a Índia é o principal destino desses empregos, mas a América Latina é considerada uma região com potencial no futuro. A Associação Brasileira de Telemarketing prevê que, em 2004, o número de pessoas trabalhando em call centers para empresas estrangeiras no Brasil passe de 600 a 700 para até 5 mil.

Índia

Nos últimos 18 meses, pelo menos 50 mil empregos na área de serviços já foram transferidos da Grã-Bretanha para a Índia, de acordo com estimativas do setor.

Uma das maiores vantagens é o custo menor de mão-de-obra, mas a transferência dos call centers só se tornou possível com a tecnologia.

Segundo John McCarthy, diretor da Forrester, essa transferência é uma combinação da queda dos custos de telecomunicações e de novas tecnologias como a internet, que possibilitou o uso de e-mails e de mensagens instantâneas.

Além disso, ele diz que os fornecedores de equipamentos e programas de informática em determinados países em desenvolvimento estão cada vez mais sofisticados.

A Índia é o principal destino desses empregos, segundo McCarthy. O governo do país investe muito em educação há 20 anos (as estatísticas indicam que 2 milhões de pessoas se formam em universidades no país, por ano), e o inglês é a segunda língua da população.

"A localização dominante de empregos fora (outsourcing) para empresas baseadas nos Estados Unidos e na Europa é a Índia, mas há muita atividade nas Filipinas, na Rússia, e em outros países do Leste da Europa. Também há trabalho indo para Gana, África do Sul e Costa Rica", disse ele.

A Rússia, de acordo com estudos da Forrester, está atraindo empregos na área de serviços devido à herança do complexo militar, de instituições acadêmicas sólidas e técnicos altamente sofisticados, ainda da era soviética.

Horário

Segundo levantamento da consultoria, a América Latina tem potencial e oferece vantagens, como a estabilidade geopolítica, mas tem desvantagens.

McCarthy contou que a Costa Rica já é um dos destinos de outsourcing para empresas americanas por causa da proximidade, estabilidade política e também o espanhol.

O país é procurado por empresas para atendimento a comunidades hispânicas nos Estados Unidos.

"Uma das vantagens da América Latina é que está perto, praticamente na mesma zona horária dos Estados Unidos, comparada a 9,5 horas de diferença em relação à Índia ou 12 horas em relação às Filipinas. Isso faz com que seja mais fácil administrar", explica McCarthy.

"Mas o desafio na América Latina do ponto vista da área de alta tecnologia é que não tem a mesma base grande de capacitação técnica que existe em lugares como a Índia ou mesmo Rússia".

"No caso do Brasil, não se encontra a profundidade e amplitude de capacitação técnica e de língua inglesa que se acha na Índia ou nas Filipinas. Também não se fala espanhol", acrescentou.

Já a Argentina, segundo ele, começa a se tornar um destino para esses empregos, por causa da língua e por causa da desvalorização do peso e da crise, que tornou o país muito mais competitivo em termos de custos.

Nichos

Apesar dessas dificuldades, o Brasil começa a atrair a atenção de empresas estrangeiras, especialmente para os call centers, segundo o presidente da Associação Brasileira de Telemarketing, Topázio Silveira Neto.

"Hoje efetivamente, no Brasil, não passa de 600 a 700 o número de pessoas trabalhando em exportação de serviço de call center. No entanto, notícias sobre contratos em andamento nos dão conta que, para 2004, esse número poderá facilmente chegar a mais de 5 mil pessoas já trabalhando com exportação de serviço, seja em inglês, seja em espanhol", disse Topázio Neto.

As dificuldades com línguas, segundo ele, começam a ser superadas com o aproveitamento de um nicho de mercado, os jovens brasileiros que ficam por um período no exterior, aprendem inglês e voltam ao país.

"Ao voltarem para o Brasil, nem sempre encontram oportunidade de trabalho em que eles possam utilizar os conhecimentos que eles adquiriram. Estamos falando de um contigente grande", avaliou.

O salário também é outra vantagem. Um operador de call center no Brasil, trabalhando seis horas por dia, ganha ao redor de R$ 1.500 (cerca de US$ 500) por mês, segundo o presidente da associação.

No cenário internacional, o salário desse funcionário é três ou quatro vezes maior.

"Outro aspecto em que o Brasil se diferencia é a própria qualidade do povo brasileiro. Se compararmos o atendimento dos brasileiros em qualquer setor a muitos países do mundo, vamos ver que o brasileiro é extremamente motivado para atender, para servir, é receptivo a outras pessoas", disse.

"Isso faz com que o brasileiro seja um tipo de mão de obra adequado para exportação de serviços de call center."

Segundo Topázio Neto, também existem empresas japonesas interessadas em call centers no Brasil por causa dos filhos de imigrantes japoneses, os dekasseguis, que falam a língua.

E já começam a ser fechados contratos com empresas de Portugal.

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