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Atualizado às: 17 de dezembro, 2003 - 16h43 GMT (14h43 Brasília)
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Dólar deverá continuar em queda no mercado internacional

Nota de dólar
Movimento beneficia exportações de produtos agrícolas brasileiros

O dólar continuará sua trajetória de desvalorização no ano que vem em relação às principais moedas internacionais, segundo a previsão de economistas consultados pela BBC Brasil.

Nos últimos doze meses, a moeda americana registrou recordes de queda de quase 17% em relação ao euro, 9% contra a libra e por volta de 10% sobre o iene.

Em julho de 2001, um euro comprava cerca de US$ 0,85. Agora, compra US$ 1,20 – uma queda no poder de compra na ordem dos 30%.

Os analistas estimam que o dólar seguirá batendo recordes de baixa em relação ao euro, que chegará a US$ 1,30 no primeiro semestre de 2004.

Nuno Camara, economista-sênior do Dresdner, em Nova York, disse que esse movimento beneficiaria o Brasil. “Os preços dos produtos agrícolas são em dólar, então eles ficam mais baratos diante do mercado europeu, aumentando as exportações brasileiras para a Europa e para a Ásia”, afirmou.

Fragilidade

Em meio à euforia da captura de Saddam Hussein, que significou uma redução dos chamados riscos geopolíticos, a moeda americana chegou a ensaiar ganhos na segunda-feira.

Mas os fundamentos econômicos falaram mais alto e o dólar voltou a cair.

Ricardo Amorim, diretor para a área de investimentos da consultoria IDEAGlobal, afirmou que a tendência de queda do dólar iniciou no ano passado com “uma série de fragilidades da economia americana”.

“O gatilho foi o mal desempenho econômico que fez com que os Estados Unidos atraíssem menos investimentos necessários para financiar o déficit das contas externas”, disse.

A principal razão para a continuidade da depreciação do dólar é o possível aumento do déficit de transações correntes americano (soma dos resultados da balança comercial, de serviços e transferências unilaterais) que representa 5% do PIB nacional – quase o tamanho da economia brasileira, na comparação de Amorim.

Apesar da economia dos Estados Unidos estar apresentando sinais de recuperação, são os déficits externo e orçamentário que assustam os investidores que, em resposta, preferem se desfazer da moeda americana.

Se, antes, o dólar estava em alta era porque os investidores acreditavam que essa moeda lhes renderia mais comparado com outras.

Real

No Brasil, no entanto, o comportamento do dólar tem sido diferente do mercado internacional.

Apesar de estar acumulando uma desvalorização de cerca de 17% ao ano em relação ao real, a moeda americana, na faixa dos R$ 2,90, tem apresentado uma tendência diferente recentemente.

De acordo com Amorim, da IDEAGlobal, houve dois momentos na taxa de câmbio em 2003 no país: no primeiro semestre, o dólar caiu bastante contra o real e, nos últimos quatro meses, voltou a subir.

“Na primeira metade do ano, a depreciação da moeda americana diminui o tamanho da dívida brasileira em relação ao PIB porque quase metade da dívida do governo brasileiro ou é dívida externa, emitida em dólar, ou é dívida interna que tem taxa de juros definida pela variação cambial”, disse Amorim.

Mas, desde setembro, o dólar passou a apresentar um movimento que contrariava a tendência de queda no mercado internacional.

“Isso aconteceu porque o tesouro nacional comprou US$ 8 bilhões no mercado, equilibrando a oferta e a demanda. Essa ‘intervenção’ é a política do governo para aumentar o nível das reservas internacionais que haviam caído muito no ano passado”, afirmou Amorim.

As previsões para a cotação do dólar para o final de 2004 vão de R$ 3,20 a R$ 3,60 – patamar defendido por empresários brasileiros para incentivar as exportações e substituir as importações.

“Há necessidades de maior financiamento externo no ano que vem nos setores público e privado, o que gera maior demanda pelo dólar. Esse fator limitará a apreciação do real”, avaliou Camara.

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