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Furlan pede que Brasil e EUA mudem postura
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse nesta quarta-feira que o Brasil e os Estados Unidos precisam "deixar a intransigência de lado e vestir o chapéu de co-presidentes das negociações da Alca". "Ao aceitar co-presidir as negociações, os Estados Unidos e o Brasil devem agir mais como representantes de 34 países do que unicamente em seu interesse." As afirmações foram feitas a uma platéia de economistas, analistas financeiros e cientistas políticos reunidos no Americas Society, um centro de pesquisas independente baseado em Nova York. Para Furlan, o debate sobre a área de livre comércio tem sido muito "emocional". O ministro já havia se envolvido em uma polêmica sobre a estratégia do Brasil para a Alca – sob comando do Itamaraty –, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedir mais comunicação entre os ministros. 'Repeteco de Cancún' O ministro afirmou também esperar que a próxima reunião preparatória para a criação da Alca, a ser realizada em Miami entre os dias 16 e 22 de novembro, não seja um "repeteco daquilo que aconteceu em Cancún". Durante a última reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, no México, as negociações entre países emergentes e desenvolvidos chegaram a um impasse devido à firmeza da posição defendida pelo grupo liderado pelo Brasil em exigir que os países riscos reduzissem o protecionismo, principalmente a produtos agrícolas. O ministro disse ainda não acreditar que as negociações da Alca possam avançar num período eleitoral nos Estados Unidos. "Duvido que poderemos chegar a um acordo que lida com tantos temas sensíveis", afirmou, referindo-se aos subsídios que o governo americano dá a setores em que o Brasil é competitivo, tais como aço e produtos agrícolas. Segundo Furlan, a questão-chave para a reunião de Miami é que os Estados Unidos garantam acesso de mercado aos produtos brasileiros. "Estamos numa nítida situação de desequilíbrio nas negociações. Os Estados Umidos representam 79% do PIB de todas as Américas. O Brasil representa cerca de 4%, e existem ainda 23 outros países que representam um pouco mais do que 1%." "Existe uma clara falta de poder aquisitivo nos países em desenvolvimento mas é justamente lá que o crescimento econômico deve prosperar no futuro." Furlan afirmou ainda que a única maneira de equilibrar o crescimento e o desenvolvimento no mundo é aumentar os investimentos "em mercados não saturados" – caso da América do Sul, segundo o ministro. Exportações Em relação ao crescimento das exportações brasileiras, Furlan anunciou que o superávit do comércio exterior brasileiro atingiu US$ 20 bilhões. Segundo o ministro, "se tudo correr bem e a safra de verão for normal", as exportações deverão ter um aumento de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões até o final do ano. Com base nesses números, o ministro do Desenvolvimento diz esperar que 1,5% dos 4% que o governo espera que o Brasil cresça sejam gerados pela exportação. Ao comentar o corte na taxa de juros, Furlan disse que ainda há espaço para uma maior redução já que há mais duas reuniões do Copom até o final do ano. Para o ministro, a queda na inflação favorece uma aceleração no corte de juros. Furlan lembrou que Lula afirmou que o país deve trabalhar com uma taxa de juros de um dígito em 2004. |
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