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Atualizado às: 30 de setembro, 2003 - 14h17 GMT (11h17 Brasília)
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Soros defende 'mudança de regime' nos EUA
George Soros
Megainvestidor criticou políticas 'extremistas' do governo americano

O megainvestidor George Soros defendeu, em entrevista à BBC, o fim da administração de George W. Bush nas eleições presidenciais que serão realizadas em 2004 nos Estados Unidos.

Soros – criador de fundações que já doaram US$ 1 bilhão para ajudar no combate à pobreza e a doenças ao redor do mundo – afirmou que os Estados Unidos só abandonarão suas políticas "extremistas" com uma mudança na Casa Branca.

"Isso é possível apenas se você tiver uma mudança de regime nos Estados Unidos. Em outras palavras, se a votação tirar o presidente Bush do poder."

"Tenho muita esperança de que as pessoas vão acordar e perceber que foram manipuladas, que, na verdade, o 11 de setembro foi utilizado por um bando de extremistas para colocar em prática políticas que eles já defendiam antes, como a invasão do Iraque."

'Falsa ideologia'

Soros disse que as políticas da administração Bush são apoiadas por uma "falsa ideologia".

"Há um grupo de... eu chamaria extremistas, que têm a seguinte crença: que as relações internacionais são relações de poder, não de lei, que as leis internacionais vão sempre seguir o que o poder determinar", afirmou o megainvestidor.

Tropas americanas no Iraque
Soros diz que EUA estão descobrindo o custo da guerra

"Então, (eles acreditam que) os Estados Unidos, como a nação mais poderosa da Terra, deveriam impor seu poder, impor sua vontade e seus interesses no mundo. E deveriam fazer isso pensando em si mesmos."

"Acho que essa é uma ideologia muito perigosa. É muito perigosa porque os Estados Unidos são, de fato, muito poderosos."

George Soros disse que as ações americanas no período que antecedeu a guerra no Iraque foram uma evidência da presença de um elemento extremista na administração Bush.

"Provavelmente, o presidente (Jacques) Chirac (da França) não concordava com essa filosofia, mas ele não é tão poderoso. Então, não estou tão preocupado com o que a França está fazendo", disse o megainvestidor.

"Mas os Estados Unidos, como verdadeira potência dominante, ao apoiar essa ideologia extremista, são muito perigosos para o mundo. E essa é minha maior preocupação."

Nações Unidas

Soros afirmou que o impasse entre os Estados Unidos e a ONU sobre a guerra – que Bush descreveu como um "momento difícil e decisivo" para as Nações Unidas – serviu, na verdade, para fortalecer a organização, e não para enfraquecê-la.

"Acho que os Estados Unidos exageraram. O que acontece com extremistas é que eles vão aos extremos e a falsidade em sua ideologia se torna aparente", afirmou.

"Em uma democracia, o eleitorado – que não é extremista – vai puni-los, e eles sabem disso. Então, eles têm que recuar."

"Acho que ainda há uma boa chance de que os Estados Unidos se voltem para um papel maior da ONU porque, agora, eles estão descobrindo que é extremamente doloroso e certamente caro ir sozinho à guerra. Por isso, no fim, o resultado pode ser o fortalecimento das Nações Unidas."

Interesses

Apesar de acreditar no fortalecimento da ONU, o megainvestidor criticou o que chamou de incapacidade da organização de funcionar bem como um conjunto de Estados.

Caminhão da Acnur em Srebrenica
George Soros fez doação para agência da ONU na Bósnia

"As Nações Unidas não são uma organização terrivelmente efetiva na promoção de uma sociedade aberta porque trata-se de uma associação de Estados. Estados sempre colocam seus interesses nacionais à frente dos interesses comuns."

Soros tem um histórico de doações de elevadas somas de dinheiro para áreas carentes ao redor do mundo, mas isso só ocorreu uma vez através da ONU.

"Na Bósnia, nós fizemos uma doação ao Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Mas aquela foi realmente uma exceção."

"Nós interferimos em assuntos internos dos Estados, mas baseados em ajudar pessoas dentro do país."

"Na verdade, temos sido bastante efetivos em levar democratização, mudança democrática de regime, na Eslováquia, na Croácia e na Iugoslávia, mas isso ajudando a mobilização da sociedade civil nesses países."

Para o futuro, ele espera continuar o trabalho, mas sob um novo governo americano.

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