|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Política econômica do Brasil é 'imediatista', diz analista
O governo brasileiro faz políticas imediatistas, o que pode acabar comprometendo o desenvolvimento do país no futuro, de acordo com o acadêmico Werner Baer. Baer é especialista em economia latino-americana que é professor da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. "Eles (o governo) parecem excessivamente preocupados em agradar aos investidores e credores internacionais, e acabam deixando de pensar num projeto de desenvolvimento para o Brasil, para os próximos 10 ou 15 anos", disse o acadêmico. A política econômica ortodoxa do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva, marcada pelos juros altos e pelo aperto fiscal, tem agradado aos investidores externos. Efeito recessivo Ao mesmo tempo, as medidas têm um efeito recessivo, restringindo o crescimento econômico. O PIB brasileiro deve crescer menos de 1% este ano - de acordo com várias estimativas, inclusive do governo - desempenho que não é suficiente para reverter as altas taxas de desemprego e o declínio dos salários reais.
Ao comentar esse desencontro entre o país elogiado pelos analistas de mercado e os dados atuais da chamado economia real, Baer explicou que a política econômica formulada por Brasília prioriza o equilíbrio do balanço de pagamentos (registro contábil das transações com outros países, incluindo operações comerciais e financeiras) no curto prazo. Isso satisfaz o mercado, que percebe na economia brasileira um ambiente de segurança e previsibilidade para investimentos com altíssimo retorno financeiro, propiciado por uma das taxas de juros mais altas do mundo, de 20% ao ano. Colher os frutos Para analistas de mercado como John Mann, da consultoria Invesco Asset Management, de Londres, o desencontro entre o quadro retratado pelo mercado e os indicadores da economia real ocorre porque o mercado está de olho no futuro, onde o país vai colher os frutos das políticas que estão sendo usadas agora. "A chave para entender esse descompasso é uma questão de tempo. Enquanto os analistas pensam no longo prazo, no momento em que as políticas adotadas pelo governo começarem a ter efeitos, quem está prestando atenção à economia real hoje não tem essa percepção", disse Mann. Richard Fox, analista da agência internacional de risco Fitch, com sede em Londres, concorda com a opinião de Mann. "As pessoas esperam resultados imediatos, mas isso leva tempo", afirma. "A África do Sul começou a lidar com o problema de uma enorme dívida em 1994 e levou quase dez anos para começar a colher resultados", diz Mann. Mas para o acadêmico Victor Bulmer-Thomas, especializado em economia latino-americana e diretor do Instituto Real de Assuntos Internacionais de Londres, a adoção de medidas econômicas ortodoxas, como o aperto fiscal e os juros altos, não querem dizer que o país necessariamente crescerá no futuro. Bulmer-Thomas lembra que, no passado, o Brasil já teve políticas voltadas para o desenvolvimento, mas sem responsabilidade econômica. Agora, diz, o país adota políticas responsáveis mas se esquece de estimular o crescimento de setores chaves da economia. "Países como a China e a Coréia crescem muito hoje porque elaboraram suas políticas pensando em como estimular o desenvolvimento no futuro. Se o país não fizer isso, o futuro pode não trazer notícias boas" concluiu Bulmer-Thomas. Seguindo o raciocínio do especialista, a falta de planejamento no longo prazo pode, então, impedir que a realidade do Brasil-modelo descrito pelos analistas chegue à economia real, fazendo com que os bons indicadores continuam a ser projetados para o futuro. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||