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Atualizado às: 17 de setembro, 2003 - 18h14 GMT (15h14 Brasília)
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Relatório sugere que FMI seja mais flexível

Argentinos têm novo acordo com o FMI
A Argentina fechou um acordo recente com o fundo

Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Escritório de Avaliação Independente (IEO, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que o Fundo seja mais flexível em sua relação com os países para os quais presta assistência.

O documento diz que o FMI deve estar disposto a levar em consideração programas de ajuste que não seriam a primeira opção, segundo os princípios do órgão, "mas mesmo assim alcançam um padrão mínimo de aceitação" nas sociedades que serão afetadas por eles.

O relatório avalia as ações do Fundo em algumas situações específicas, como as crises cambiais nos últimos anos – inclusive as que atingiram o Brasil –, e dá a entender que os técnicos do FMI devem ficar atentos às circunstâncias particulares de cada país.

A recomendação de flexibilidade chega em um momento no qual, segundo analistas, o FMI realizou várias concessões para a Argentina, na assinatura do mais recente acordo com o país.

"Excesso de otimismo"

O documento aponta que o Fundo já sofreu duras críticas por conta de sua austeridade e indica que o FMI às vezes exige reformas em um prazo mais curto do que a maior parte dos países pode cumprir – e sem discutir com o país com a antecedência esperada.

"Um exemplo são as reformas tributárias que normalmente precisam vir acompanhadas de reformas estruturais e administrativas, que geralmente levam tempo e podem não ser feitas nos prazos estipulados pelo FMI", afirma o documento.

O relatório lembra ainda que a necessidade de que essas reformas sejam rápidas pode até gerar "efeitos adversos", chamando a atenção para ações que são mais facilmente monitoráveis, mas que acabam sendo menos importantes para uma estabilidade a longo prazo.

O IEO também reconhece os programas do FMI muitas vezes são elaborados a partir de pressupostos que nem sempre correspondem à realidade.

Além disso, o relatório identifica uma tendência a um excesso de otimismo com relação aos efeitos que as medidas propostas podem ter.

"Em algumas circunstâncias, isto pode levar ao desenvolvimento inapropriado de um programa, como no caso em que o excesso de otimismo sobre o ritmo da recuperação dos investimentos privados incentiva um aperto fiscal excessivo a fim de atrair capital privado, que não se materializa tão rapidamente quanto se esperava", avalia o relatório.

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