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Atualizado às: 15 de setembro, 2003 - 02h57 GMT (23h57 Brasília)
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Fracasso em Cancún reforça divergências na OMC

Manifestantes estiveram presentes na semana de negociações
Manifestantes estiveram presentes na semana de negociações

O fracasso da reunião ministerial de Cancún em chegar a um acordo sobre o prosseguimento das negociações da Rodada de Doha de liberalização do comércio já era esperado, mas um dos delegados presentes, funcionário de uma embaixada junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, disse à BBC Brasil que "nunca tinha visto nada como isto".

Em uma reunião de consulta com representantes de mais de cem países, a União Européia resolveu deixar de lado dois dos temas que o bloco queria ver introduzidos nos acordos da OMC (investimentos e regras de competição) e insistir apenas em lançar negociações nas áreas de transparência de governo e facilitação de comércio – tema que inclui licenças de importação e controle de alfândegas.

Os países da ACP (grupo de países da África, Caribe e Pacífico) disseram que não aceitavam a posição européia e exigiam que todos os quatro temas, conhecidos como temas de Cingapura, saíssem do rascunho da declaração.

O embaixador sul-coreano, então, recusou a retirada dos quatro temas e defendeu o lançamento de negociações em todos. Indonésia e Malásia também mostraram resistência.

Tudo acabado

A expectativa de delegados presentes ao encontro era de que o presidente dos trabalhos, o ministro mexicano Luis Ernesto Derbez, passasse a tentar negociar o impasse com os dois lados.

Mas, ao contrário, Derbez disse que não havia condições de chegar a um acordo e declarou os trabalhos encerrados.

"O primeiro a sair da sala não foi da APC ou coreano, foi o ministro mexicano", disse um diplomata ouvido pela BBC Brasil.

Uma analista de comércio da HBPO, que acompanhou a reunião, afirma que Derbez já vinha sinalizando a intenção de encerrar o encontro no domingo e, com sua atitude, poderia estar tentando forçar os delegados a saírem de suas posições radicais e iniciarem logo o processo de negociação, no sentido de fazer concessões de parte a parte.

Mas ela acredita que o colapso da reunião de Cancún tenha dois motivos sem relação com o estilo do ministro Derbez de conduzir os trabalhos: "A União Européia errou no cálculo, ao prever que a reunião iria até segunda-feira à noite e deixar para apresentar suas concessões na noite de domingo".

"O bloco europeu estava usando os temas de Cingapura para proteger sua linha-dura em agricultura. E iria começar a negociar um pelo outro à noite, mas a estratégia caiu por terra, porque ninguém viu a flexibilidade dos europeus a tempo."

"Eles demoraram demais e perderam o timing", afirmou a analista.

Green room x green house

A outra razão seria a mesma que ajudou a acabar com a possibilidade de acordo em Seattle, na reunião da OMC de 1999, que fracassou em lançar uma nova rodada de liberalização de comércio: a realização de reuniões entre países considerados influentes e maiores, enquanto os pequenos ficam aflitos, do lado de fora, esperando para saber o que foi resolvido.

A prática é chamada de "green room" ("salão verde", em inglês) e teria sido novamente fatal.

Pela reação do ministro da Agricultura de Santa Lúcia, uma pequena ilha no Caribe, a análise é correta.

Gulix George, que esperou por horas a fio pelo "green room" que discutia os temas de Cingapura, queixou-se depois dos "procedimentos da OMC, que não mudam".

E ironizou a espera pelo "green room", dizendo que o calor e o efeito estufa (que em inglês é "green house") foram os motivo para o colapso das negociações e da linha-dura adotada pelos países da ACP.

Longa espera

"Eles demoraram cinco horas no 'green room'. Os delegados do lado de fora vão ficando irritados e mal-humorados. Começam a achar que estão armando alguma coisa contra eles. Ou se realizam 'green rooms' à noite, quando estão todos dormindo, ou é melhor não faze-los", defende Thompson.

O problema é que os participantes do "green room" que não deu certo estavam cansados, ao fim de uma reunião plenária com todos os ministros que acabou na madrugada do sábado.

A exaustão dos 35 ministros que participariam da reunião designada para resolver o impasse e as reuniões que deixam muitos dos membros do lado de fora, sem representação dentro e sem notícias do que acontece, acabaram contribuindo para que ele se tornasse insuperável neste domingo.

"O clima entre os europeus é de muita decepção", disse um delegado de um dos países mais liberais.

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