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Africanos querem fim de subsídios dos ricos ao algodão
Um grupo de países africanos está unindo suas forças para pôr o algodão na agenda da conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, no México. Benin, Burkina Fasso, Chade e Mali estão pedindo que os países ricos acabem com os subsídios aos seus agricultores que, segundo eles, provocam perdas de US$ 250 milhões (cerca de R$ 750 milhões) por ano em exportações. "O algodão oferece potencial e uma oportunidade rara para que nos integremos na economia mundial", disse aos delegados da conferência o ministro da Indústria e do Comércio de Mali, Choguel Kokalla Maiga. O algodão é a principal produção nas economias do centro e do oeste da África, mas os agricultores da região dizem que não podem exportar suas colheitas porque os subsídios pagos na Europa e nos Estados Unidos tiram a competitividade de seu produto. Compensações Ativistas argumentam que a redução nas exportações e a queda dos preços do algodão no mercado internacional fizeram com que comunidades inteiras na região perdessem seu único meio de sobrevivência. Os países africanos estimam que o valor que eles perdem chega a US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3 bilhões), quando somadas as perdas indiretas. Além do fim dos subsídios ao algodão, os países africanos querem compensação financeira para a perda de receita. "Se nada for feito urgentemente e de forma sólida, poderá haver total perda de receita para nossos produtores, aumento da pobreza e a destruição do nosso sistema econômico", disse o ministro do Comércio de Benin, Fatiou Akplogan. Diferença de custos Segundo a ONG britânica Oxfam, os Estados Unidos pagam aos seus 25 mil produtores de algodão subsídios que equivalem a três vezes mais do que o seu orçamento de assistência a 500 milhões de pessoas na África. A ONG calcula que os custos de produzir algodão nos Estados Unidos são o triplo daqueles de Burkina Fasso. Mas os EUA argumentam que os seus esquemas de apoio ao algodão local estão dentro dos limites permitidos pela OMC e acusam a União Européia e a China. "Estamos em discussões com os quatro países que apresentaram a proposta do algodão e estamos avaliando com eles toda a situação que afeta o comércio do produto", disse Peter Allgeier, vice representante para o comércio dos Estados Unidos. 'Mérito moral' A China é o segundo país que mais subsidia o algodão. A União Européia gasta apenas US$ 700 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões), mas como algodão só é produzido na Grécia e na Espanha, os seus subsídios são os mais elevados - até 180% do preço internacional. O comissário (equivalente a ministro) do Comércio da UE, Pascal Lamy, disse que a produção européia de algodão representa apenas 2% do total mundial e que o esquema de apoio não tem impacto significativo nos preços internacionais. O diretor da OMC, o tailandês Supachai Panitchpakdi, instou os ministros a "explorar amplamente todas as avenidas para uma solução apropriada e satisfatória", acrescentando que a iniciativa tem "um forte mérito moral e econômico". A iniciativa está no rascunho da declaração de 21 páginas que está sendo discutida pelos 146 países-membros da OMC. |
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