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Atualizado às: 03 de setembro, 2003 - 13h42 GMT (10h42 Brasília)
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China cede a pressões sobre câmbio fixo
iuan
Para americanos, câmbio chinês provoca competição desleal

A China se curvou a pressões dos Estados Unidos para repensar seu sistema de câmbio fixo que, segundo analistas, está provocando a subvalorização de sua moeda, o iuan.

Depois de um longo período em que ignorou os apelos dos americanos para que fizesse reformas, o presidente do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, disse que em algum momento o valor do iuan será fixado pelo mercado.

Mas ele não deu um prazo para a flutuação da moeda e disse que ainda existe amplo espaço para debates sobre o regime de câmbio no país.

A taxa de câmbio na China é fixa e US$ 1 vale 8,3 iuans, o que, segundo observadores indica subvalorização da moeda chinesa e daria às exportações do país condições excessivas de competir no mercado.

Divergências

É grande a pressão da indústria e dos sindicatos americanos contra o câmbio fixo chinês que, segundo eles, estaria provocando desemprego nos Estados Unidos.

Segundo políticos americanos, a "competição desleal" dos produtos chineses teriam provocado o desaparecimento de 3 milhões de empregos nos EUA.

Um estudo do banco UBS – e publicado pelo jornal Financial Times – mostra, porém, que os números apontam para uma realidade diferente.

Câmbio

O UBS calcula que se a indústria nos EUA e no Japão tivesse mantido o ritmo de crescimento de empregos de toda a economia na última década, os dois países teriam 9 milhões a mais de postos de trabalho do que têm atualmente.

Mas o culpado não seria apenas a Ásia. Entre os motivos estariam a mudança estrutural de longo prazo na direção dos serviços e do aumento da produtividade na indústria.

Segundo o UBS, a perda de apenas 500 mil empregos pode ser atribuída à migração de postos de trabalho para Ásia.

Segundo o jornal, a média do salário de um trabalhador da indústria na China é de US$ 1.182 (pouco menos de R$ 3,6 mil) por ano. A de um americano, US$ 29 mil (pouco mais de R$ 86 mil) por ano.

"Forçar uma valorização de 15%, ou de 150%, da moeda chinesa não mudará essa diferença", diz o jornal.

Reafirmação

Os comentários conciliadores de Zhou foram feitos ao fim de uma tensa viagem do secretário do Tesouro americano, John Snow, a Pequim.

Snow disse que se sentia "encorajado" pelos comentários do presidente do BC chinês.

Mas ele admitiu que os comentários de Zhou são um pouco mais do que a reafirmação de uma política que já existia.

A China resiste a qualquer mudanças no câmbio, porque a moeda subvalorizada tem ajudado o boom exportador do país.

Pequim está preocupada por considerar que qualquer mudança cambial pode cortar empregos na área rural, onde a economia é menos sólida do que nas grandes cidades.

Alguns analistas consideram que uma mudança profunda também poderia alterar os fluxos de capital para o país, com risco de desestabilização, como aconteceu no sudeste da Ásia, em 1997-1998.

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