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Cepal diz que fome diminuiu na América Latina
O número de pessoas passando fome na América Latina e no Caribe diminuiu no ano passado, de acordo com um relatório da Cepal, a Comissão Econômica da ONU (Organização das Nações Unidas) para a região. Na última década, os índices de subnutrição caíram em 20 dos 24 países da região, graças, segundo a Cepal, à redução da pobreza extrema e à maior oferta de comida. Ainda assim, 55 milhões de latino-americanos e caribenhos vivem sem ter segurança do quê nem de quando vão comer, segundo o relatório, que foi feito em parceria com o Fundo de Alimentação da ONU (FAO). De fato, em países como Haiti e Bolívia, 20% dos habitantes têm problemas para se alimentar. Desigualdade Os especialistas da Cepal concluem que o problema da fome na América Latina tem mais a ver com a dificuldade de acesso da população, que muitas vezes não têm dinheiro para comprar comida, do que com a falta real de alimentos. "A região apresenta enormes desigualdades no consumo de comida, que fazem aumentar a subnutrição e a insegurança alimentar para níveis mais altos do que deveriam ser, quando comparados com a habilidade de produzir e importar alimentos", afirma o relatório. Segundo a Cepal, o número de crianças subnutridas diminuiu de 13% a 14% para entre 8% e 9%. Nos casos de subnutrição crônica, a queda teria sido de 23% a 24% para 18% a 19%. A Cepal e o Fundo de Alimentação da ONU classificam a subnutrição como um dos principais mecanismos de transmissão de pobreza e desigualdade social de uma geração para outra. Isso porque a má nutrição compromete seriamente o desenvolvimento físico e mental de uma criança. A ONU define má nutrição como a falta permanente e aguda da comida necessária para atingir os níveis mínimos exigidos. A má nutrição seria a pior forma de subnutrição. Segundo o diretor da Cepal, José Antonio Ocampo, os indicadores sociais da região só tendem a piorar com a previsão de um crescimento baixo e desigual para a região. "A maioria dos países não deveria esperar melhoras significativas em suas condições de vida (em 2003)", afirmou Ocampo, na entrevista em que apresentou o relatório. Segundo o diretor da Cepal, o desempenho per capita da região deverá ser ainda pior do que o da região de uma forma geral, para a qual a comissão projeta um crescimento de apenas 1,5%. Ou seja, além de crescer pouco, a riqueza deverá continuar concentrada. As únicas exceções foram México e Equador, que conseguiram reduzir seus níveis de pobreza urbana entre 1999 e 2002. Mais pobres e indigentes De uma forma geral, porém, o número de pobres e indigentes na região aumentou em 2002 e deverá continuar aumentando em 2003. No ano passado, mais de 220 milhões de pessoas - 43,4% da população - os latino-americanos viveram em condições de pobreza. Trata-se de um aumento de 0,9%. Do total de pobres, 95 milhões são indigentes, ou seja, não têm dinheiro suficiente para comprar uma cesta básica. Em termos percentuais, essa população aumentou de 18,2% para 18,8%. Segundo a Cepal, os níveis de pobreza na região não caem desde 1997, quando se reverteu uma tendência de melhora nos indicadores sociais da região. Um dos países mais prejudicados foi a Argentina, cuja população de pobres e indigentes dobrou entre 1999 e 2002, anos em que o país amargou o pior da crise econômica que ainda vive. Diante desses números, a Cepal recomendou que os governos da região adotem políticas para aumentar o acesso à boa alimentação entre as camadas mais pobres da população. "Nesse sentido, o Brasil se destaca por seus esforços por meio do programa Fome Zero", afirmou a Cepal. |
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