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Argentinos temem prejuízo no comércio bilateral com o Brasil Com medo de uma invasão de produtos brasileiros, os empresários argentinos esperam que o emagrecimento histórico do comércio entre Brasil e Argentina seja um dos assuntos da reunião do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. "Hoje, o preocupante não é a ameaça de invasão de produtos brasileiros, mas o fato de que o Brasil está comprando cada vez menos produtos argentinos", afirma Juan Sabala, economista-chefe da consultoria Centro de Estudos Bonaerenses (CEB). "O Mercosul está perdendo importância em termos de comércio." Nos primeiros cinco meses deste ano, as importações de produtos brasileiros na Argentina cresceram 85% frente ao mesmo período do ano passado. Naquela ocasião, porém, a Argentina vivia uma crise inédita, reduzindo dos cerca de US$ 450 milhões para pouco mais de US$ 100 milhões mensais as importações brasileiras. Balança comercial Hoje, apesar de o real e o peso argentino terem valores similares em torno de 2,85 por dólar -, o comércio bilateral entre Brasil e Argentina continua em queda. De acordo com Sabala, os principais produtos argentinos vendidos para o Brasil são commodities como cereais e petróleo, cujos preços dependem do mercado internacional e não do comércio entre os dois principais sócios do Mercosul. A tendência, segundo o economista do CEB, é que - ao contrário do que quase sempre ocorreu desde a criação do Mercosul - o Brasil passe a ter saldo positivo na balança comercial com a Argentina já a partir do segundo semestre, caso seja mantido o atual ritmo do comércio entre os dois países. Em maio, por exemplo, o saldo comercial para a Argentina limitou-se a US$ 25 milhões - bem longe dos US$ 400 milhões que o país chegou a registrar nos meses recordes do comércio bilateral, em 1997, quando os números globais e mensais entre os dois países chegaram a marcar pouco mais de US$ 1 bilhão. Preocupação Hoje, no entanto, a preocupação dos empresários argentinos é mais imediata. Com o país em ritmo de crescimento, mesmo com menor intensidade do que no início do ano, eles temem que o Brasil mande para a Argentina o que não está conseguindo vender em seu próprio mercado. Há poucos dias, representantes da União Industrial Argentina (UIA) pediram ao ministro da Economia, Roberto Lavagna, a criação de medidas de proteção a suas mercadorias contra similares brasileiros. Horas depois, o próprio Lavagna surpreendeu a diplomacia brasileira ao afirmar, em uma entrevista ao jornal Clarín, que temia a entrada massiva de produtos brasileiros no seu país. A justificativa do ministro foi a de que a economia brasileira está em queda e, portanto, com sobra de produção - o que, no entendimento de Lavagna, leva naturalmente a uma maior exportação brasileira para a Argentina. Questão setorial Para Juan Sabala, ao mesmo tempo em que compra cada vez menos do mercardo argentino, o Brasil está exportando para novos mercados. Na opinião do economista, existe o perigo da entrada intensa de produtos brasileiros na Argentina, mas como questão setorial e não generalizada. Produtos têxteis, sapatos, aços e automóveis são, segundo empresários argentinos, os mais afetados pela desaceleração da economia brasileira. O representante da Ford na Argentina, Rodolfo Ceretti, diz que a empresa já esperava retrações no comércio com o Brasil e que, por isso, modificou, no início do ano, suas projeções de vendas para o mercado vizinho. "A redução foi de 15%, índice que saímos a compensar em outros mercados, como o México, por exemplo", afirmou. Produção conjunta Na mão inversa, o presidente da Câmara de Importadores da Argentina, Diego Pérez Santisteban, declarou que sua esperança é que sejam liberados US$ 1 bilhão em créditos prometidos pelo Brasil, através do BNDES, para estimular o comércio entre os dois países. "Mas isto só vai ocorrer se os exportadores argentinos apresentarem produtos com insumos importados do Brasil", afirma. Para Santisteban, assim o comércio seria naturalmente reativado entre os dois países, incrementando a geração de empregos. Na opinião do economista Juan Sabala, para que o entendimento vire realidade será necessário que negociadores dos dois países definam, primeiro, que tipo de produção conjunta poderão realizar, deixando claro o que seria responsabilidade da Argentina e do Brasil. |
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