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Analistas sugerem corte nos juros apenas em julho

Reais
Argumento é de que inflação ainda representa perigo
Apesar da expectativa no Brasil quanto a uma possível redução na taxa básica de juros do país, analistas entrevistados pela BBC Brasil defendem uma posição mais cautelosa e afirmam que o governo deveria esperar pelo menos mais um mês para baixar os juros, na esteira da queda da inflação.

Felipe Illanes, economista-chefe da Merril Lynch para a América Latina, afirma que a "opinião marginalmente majoritária" entre os analistas de mercado é de que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) vai reduzir os juros, atualmente em 26,5% ao ano, na reunião desta quarta-feira.

O analista aposta em um corte de 50 pontos base (0,5 ponto percentual na taxa básica Selic), mas acredita que a redução não deveria acontecer porque "a inflação ainda não está caindo na velocidade desejada".

Já Richard Fox, diretor para finanças públicas da agência de classificação de risco Fitch, diz que, até o momento, o Copom não deu nenhuma indicação de que a tendência seria de redução dos juros. "Seria uma surpresa se começasse a cortar agora", afirmou Fox. E, para o analista, uma surpresa poderia ser interpretada pelo mercado de maneira negativa, "mas sem grandes problemas".

Inflação

De acordo com Arturo Porzecansky, diretor para mercados emergentes do ABN-AMRO, investidores e analistas estrangeiros acreditam que o Banco Central deveria manter a luta contra a inflação e não reduzir os juros muito rápido.

"A experiência internacional é de que, quando a inflação é repassada para toda a economia, como no caso do Brasil nos últimos seis meses, é muito difícil voltar atrás sem uma política monetária bem apertada", argumenta Porzecansky.

Como o efeito de ações na política monetária sobre a inflação demora, em média, seis meses para ser sentido, uma redução nos juros em junho ainda teria um impacto sobre a inflação de 2003.

A meta fixada pelo governo para a inflação brasileira em 2003 é de 8,5%, mas a previsão atual ainda é de que o índice vai ficar muito acima desse valor.

"Se o Copom cortar os juros agora, implicitamente estaria sinalizando que largou o objetivo de tentar enquadrar a trajetória da inflação com a meta deste ano", diz Illanes.

Já se o corte ocorrer no mês que vem, o analista afirma que a decisão seria diferente "porque já se entenderia no mercado que o BC estaria mudando o foco para o ano que vem, não mais para acomodar pressões, mas sim em função dos fatos, já que não pode haver mais impacto na inflação."

"O BC poderia esperar mais um mês de queda (da inflação), seria mais prudente", diz Fox, que acredita na queda dos juros neste ano, mas admite que "acertar o momento é o mais complicado".

Pressão interna

Mesmo acreditando que a política monetária brasileira deve ser conduzida de maneira cautelosa, Fox afirma que o mercado está preparado para um corte de juros, desde que a redução não seja "muito radical".

"Claro que o mercado tem acompanhado a pressão política sobre o BC. Há um debate acirrado no Brasil sobre juros altos, mas acho que um impacto negativo só aconteceria se chegássemos à conclusão de que a pressão política está tendo impacto sobre as decisões do BC", diz o diretor da Fitch.

Illanes também acredita que um corte maior, de 1 ponto percentual na Selic, "seria lamentável" e daria a percepção de que a política monetária brasileira está suscetível a pressões políticas.

Isso, de acordo com o economista, levaria os analistas a acreditarem que a inflação brasileira vai ser maior - o que, por sua vez, requer rendimentos maiores.

"É um paradoxo. Se o desejo é ter uma Selic o menor possível de uma maneira sustentada neste ano, acho que se avança mais nesta direção se a Selic não cair desta vez", afirma Illanes, cujo banco trabalha com uma Selic de 22,5% em dezembro e uma inflação de 11,8%.

Risco Brasil

A reação imediata dos investidores sobre a decisão do Copom vai poder ser sentida com o movimento do principal título brasileiro negociado no exterior, o chamado C-Bond.

De acordo com Marcelo Fleury, diretor da corretora americana Sterling Financial, "os C-Bonds podem até subir" se houver o corte esperado nos juros.

Fleury admite que existe o risco de demonstração de fraqueza por parte do Banco Central. "Mas com fluxos tão favoráveis, acho que isto pode demonstrar que o BC já observa que a inflação estaria mesmo em uma trajetória de queda", afirma.

O economista acredita que um corte de 0,5 ponto percentual na Selic não vai interromper "a enxurrada de hot money que está entrando no país".

O spread do risco Brasil em seu melhor momento histórico chegou perto de 650 pontos. Isto ocorreu pela útima vez em meados de 1998, às vésperas da moratória russa, e em 1997, antes da crise asiática.

"Toda vez que alcançamos estes patamares, algum fator novo atuou no mercado internacional que impediu a continuação da queda do risco", diz Fleury.

O spread de risco na terça-feira estava em 670 pontos e os C-Bons eram negociados em 93% do valor de face.

"Agora não existe uma perspectiva de nenhuma crise internacional no horizonte. O único risco seria o Federal Reserve (Banco Central americano) não voltar a reduzir os juros nos Estados Unidos. Mas os sinais são justamente no sentido de uma nova redução dos juros americanos", diz Fleury.

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