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Atualizado às: 24 de dezembro, 2004 - 12h33 GMT (10h33 Brasília)
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'Gênio do xadrez' pede para ser libertado no Japão
Bobby Fischer
Fischer vive como fugitivo das autoridades dos EUA há 12 anos
O enxadrista americano Bobby Fischer, considerado um dos maiores talentos já surgidos no mundo do xadrez, pediu ao governo do Japão, onde está preso, para autorizar a sua ida à Islândia.

O governo islandês concedeu residência a Fischer na semana passada.

Ele está detido no Japão desde julho, no aguardo da ordem de deportação para os Estados Unidos, onde foi condenado por desrespeitar sanções contra a Iugoslávia em 1992.

O gênio do xadrez afirmou que vai aceitar a deportação caso as autoridades japonesas não o deixem sair do país.

O governo da Islândia afirmou que ofereceu a residência a Fischer em reconhecimento ao jogo em que ele derrotou o russo, então soviético, Boris Spassky pela primeira vez, em 1972.

A partida, um marco para os americanos na época da Guerra Fria, ficou conhecida como "jogo do século" e levou à revanche na Iugoslávia que provocou a ira do governo americano.

Errático

Desde então, o comportamento e as aparições do gênio americano têm sido erráticos.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, ele teria dado declarações de apoio aos extremistas que mataram quase 3 mil pessoas.

O nome de Fischer também é freqüentemente associado a declarações anti-semitas, sobre uma chamada "conspiração judia".

O enxadrista está preso desde 13 de julho, quando foi detido no aeroporto de Tóquio.

Além de pedir a revogação da ordem de deportação, ele pediu asilo no Japão.

No entanto, em uma nota escrita a mão e entregue às autoridades na sexta-feira, ele afirmou que desistirá desses processos se lhe for for permitido viajar para a Islândia.

Fugitivo

Fischer já vive como fugitivo das autoridades americanas por mais de dez anos, desde que jogou na Iugoslávia.

Antes de ser preso, ele morou no Japão por três anos.

Bobby Fischer despontou no mundo do xadrez como menino prodígio aos 15 anos, ao se tornar mestre.

O enxadrista manteve o título de campeão mundial até 1975 e ressurgiu na revanche contra Spassky, em 1992.

Embora tenha ganhado o jogo, ele foi obrigado a desaparecer, já que as autoridades afirmaram que iriam processá-lo pelos mais de US$ 3 milhões que ele faturou na partida.

Segundo o governo americano, essa renda configurava uma violação do embargo comercial contra a Iugoslávia aprovado pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas.

Se for julgado e condenado nos Estados Unidos, Fischer pode ficar até dez anos preso.

Nos meses em que passou preso, Bobby Fischer anunciou estar noivo da diretora da Associação Japonesa de Xadrez, Miyoko Watai, mas as autoridades ainda não liberaram a documentação para o casamento.

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