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'Fahrenheit' é quente, mas é cedo para dizer se queimará Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O documentário Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, provou ser quentíssimo. No seu lançamento em escala nacional nos Estados Unidos, no último fim de semana, ele arrecadou US$ 21,8 milhões (cerca de R$ 67,8 milhões), um recorde para o gênero documentário. Essa bilheteria espetacular de imediato é um revés para grupos conservadores que lançaram uma campanha de boicote ao filme e confirma o impecável timing político de Michael Moore. Mas a medida do sucesso e da influência desse lança-chamas anti-Bush não estará nas ovações em Nova York ou San Francisco, que são bastiões liberais nos EUA, e sim no seu impacto em redutos conservadores do país ou entre espectadores que não precisam ser convencidos que Bush e companhia corporificam o genuíno eixo do mal. Livro de Clinton Esse impacto ainda é obviamente difícil de ser medido. O mesmo vale para outra arma cultural do arsenal anti-Bush. No seu dia de lançamento, na terça-feira passada, a autobiografia do ex-presidente democrata Bill Clinton, Minha Vida, vendeu 400 mil exemplares, um recorde para livro de não-ficção. O calhamaço de 957 páginas promete também ficar na história como um dos livros mais comprados e menos lidos. Ao contrário do livro de Clinton - que o New York Times definiu como maçante - o documentário de Moore foi bem recebido pela crítica, tem alvo valor como entretenimento e pode pecar à vontade pela falta de nuances. A rigor, o material deve ser definido como "docuganda", ou seja uma mistura de documentário com propaganda política. Com o filme, Moore não quer apenas colocar Bush no ridículo. Ele quer botar fogo no presidente. Em entrevistas para promover o documentário, Moore está, como se prevê, autopromocional e megalomaníaco. O diretor e satirista diz esperar que o filme faça a cabeça de eleitores indecisos ou cidadãos apáticos e assim contribua para derrubar Bush nas eleições presidenciais de novembro. Campanha De concreto, Fahrenheit 11 de Setembro está no fogo cruzado da campanha eleitoral. Ativistas liberais de grupos como Moveon.org se atrelaram à campanha promocional do filme para fazer a sua própria mobilização. Isso gera reações opostas. O grupo conservador Cidadãos Unidos pediu que a Comissão Eleitoral Federal classifique a publicidade do documentário como política e assim seja sujeita a restrições impostas pela legislação eleitoral. É improvavel que aconteça, mas, pelas regras, a campanha promocional do filme deveria ser suspensa 30 dias antes da convenção republicana, que começa em 30 de agosto em Nova York. Incendiário Como ele gosta, o incendiário Michael Moore está no meio de uma grande fogueira. Para o próximo 11 de setembro, está programado um festival de filmes dedicado a desmoralizar o diretor. E, como ele, os detratores exageram. O grupo Move America Forward informou que Fahrenheit 11 de Setembro fora endossado pelo Hezbollah, que o governo americano identifica como terrorista. A alegação foi extraída de uma coluna de fofocas de um um jornal inglês. Ainda não sabemos se Michael Moore passará à história como um agitador cultural que contribuiu de forma decisiva para derrubar um presidente. Mas não há dúvida que ele ficará mais rico, mais famoso e mais polêmico com Fahrenheit 11 de Setembro, assim como Mel Gibson, outro diretor de cinema que atiçou tantas paixões em 2004. |
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