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Crítica compara Moore a cineasta 'nazista' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Passada a grande expectativa em torno do documentário Fahrenheit 11 de Setembro, do diretor Michael Moore, premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, a crítica americana agora está dividida. O filme, que estreou nesta semana nos Estados Unidos quebrando recordes de bilheteria, obteve elogios de boa parte da mídia, mas está sendo atacado por "Michael Moore é atrevido, tendencioso e altamente contraditório. Ele consegue enlouquecer até seus fãs mais ardorosos", escreveu o crítico A. O. Scott, do jornal The New York Times. "Os instintos populistas de Moore nunca estiveram tão afiados." Mas o articulista conclui que o filme "vale ser visto, debatido e pensado, independente da posição política do espectador." 'Paixão de Cristo' O filme de Moore critica duramente o governo de George W. Bush pela guerra no Iraque, e o cineasta já deixou claro que deseja que o documentário leve Bush a uma derrota nas próximas eleições presidenciais, em novembro. Fahrenheit 11 de Setembro está sendo comparado ao filme Paixão de Cristo, de Mel Gibson, pela maneira como ambos foram altamente comentados antes do lançamento e pelo fervor que despertaram nos fãs dos dois diretores. "Como fenômeno de marketing, ambos estrearam cercados de um grande entusiasmo. Há grupos organizados comprando ingressos com um zelo proselitista. E a sensação de que a gente está assistindo a algo que as grandes corporações americanas estava tentando reprimir", disse a cientista política Frances Lee ao jornal Washington Post. Já Claudia Puig, do jornal USA Today, afirmou que Fahrenheit 11 de Setembro é "o filme do ano". "O ataque pungente que o documentário faz à guerra no Iraque e à Presidência de George W. Bush é informativo, provocativo, amedrontador, convincente, engraçado e, principalmente, divertido", diz Puig. Riefenstahl O comentarista Gideon Yago, da MTV, fez vários elogios a Fahrenheit 11 de Setembro, mas afirmou que "Moore apresenta um argumento persuasivo, porém imperfeito". Ele critica o cineasta por "pintar um quadro muito cor-de-rosa do Iraque pré-guerra" e por mostrar os soldados americanos como "ou um bando de jovens matadores fanáticos por videogames ou mártires da classe operária". "Há alguns momentos em que Moore faz uma espécie de sensacionalismo à maneira de Leni Riefenstahl, mostrando imagens de uma criança iraquiana ferida sendo submetida a uma cirurgia na cabeça, enquanto Donald Rumsfeld fala sobre armas de alta precisão", disse Yago, referindo-se à cineasta preferida de Adolf Hitler, que fez filmes de propaganda nazista. Mas muitas das críticas publicadas na imprensa americana também se concentraram na reação dos conservadores contra Moore e o documentário. Conservadores Livros que criticam o cineasta já estão no prelo, enquanto o grupo conservador Move America Forward (Para a Frente, América) lidera uma campanha para incentivar as salas de cinema a não exibir o filme. Outro grupo conservador, Citizens United (Cidadãos Unidos), pediu para a Comissão Federal Eleitoral investigar se os anúncios do filme não violam as novas leis de financiamento de campanha. Moore disse que o documentário não endossa a candidatura do democrata John Kerry. Pelo contrário, faz críticas a ele e a outros importantes democratas, por não desafiarem o presidente Bush. Ainda segundo o cienasta, as leis de financiamento de campanha excluem os meios de comunicação, o que incluiria o filme. Mas o Citizens United insistem que o documentário é uma espécie de propaganda política e, por isso, não deveria ser qualificado como meio de comunicação. Governo A Casa Branca não tem se pronunciado sobre o filme, apesar de seu diretor de comunicações, Dan Bartlett, ter dito que a produção é "ousadamente falsa". O porta-voz da campanha de Bush, Terry Holt, disse que "o povo americano é capaz de distinguir o que é verdade e o que é ficção". Mas segundo o jornal Washington Post, a equipe de Bush teria discutido qual seria a sua reação oficial ao lançamento de Fahrenheit 11 de Setembro. De acordo com a reportagem, alguns membros do governo queriam um ataque a Moore. Mas Bush teria planos de ignorar o filme. "Dar uma resposta seria dar ao documentário muita credibilidade", disse ao jornal um estrategista da equipe do presidente. "Ele não vai se colocar em uma disputa com um cineastazinho". Fahrenheit 11 de Setembro estréia em 868 salas nos Estados Unidos nesta sexta-feira. O lançamento do filme no Brasil está previsto para o mês de julho. |
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