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'Friends' desafiou convenções do mundo do seriado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Friends, que terá o seu último episódio nos Estados Unidos nesta quinta-feira, começou como uma série de TV sobre seis jovens relativamente desajustados vivendo no bairro de West Village, em Nova York. Virou um sucesso global, uma marca que vendeu calendários, cadernos, canecas, camisetas e milhares de fitas de vídeo e caixas de DVDs. Seu formato original, em setembro de 1994, desafiava as convenções do mundo dos seriados. As comédias televisivas costumavam começar num cenário estabelecido, como no ambiente de uma família, ou de trabalho. Mas Friends decidiu apresentar personagens cujas vidas estavam em trânsito: seis jovens na casa dos 20 e poucos anos ainda por decidir que caminhos tomariam suas vidas. 'Preguiça' Ross, Monica, Phoebe, Rachel, Joey e Chandler eram exemplos de uma "geração preguiçosa". A trama se passava durante as suas horas de lazer, não durante as horas em que eles se escravizavam no escritório para poder pagar pelas roupas e apartamentos caros. A série tinha como foco as inseguranças de uma nova geração diante dos desafios de formar famílias ou se estabelecer em carreiras profissionais. Chandler disse certa vez: "Tenho de voltar ao trabalho, preciso registrar aqueles números porque, se eu não fizer...isso não fará muita diferença". E Monica resumiu o tom dos primeiros episódios: "Bem-vindo ao mundo real. Ele é uma droga. Você vai amá-lo". Rapidamente, Friends capturou a simpatia de boa parte da audiência. A série passou a refletir uma genuína crença sociológica – aquela que diz que os amigos são mais importantes na sua vida que a família. Também levou às telas outra tendência metropolitana, a cultura de freqüentar cafés que tomou de assalto os Estados Unidos e boa parte do globo. A escolha de seis atores de boa aparência também era um sonho para os anunciantes. Mudanças Ao contrário de outras séries, Friends passou a se concentrar nas mudanças dos personagens ao longo do tempo. Foi uma das primeira comédias da TV americana a exibir jovens com vida sexual de verdade, fazendo piadas e referências considerada arriscadas para um rede dos Estados Unidos. Pode ser que faltou a Friends as sacadas rápidas de Frasier ou o gênio surreal de Seinfeld, mas o foco do seriado na personalidade dos protagonistas aprofundou os laços entre o público e o programa. Ao longo de uma década, a série lutou para manter a energia inicial, sempre correndo riscos. Os roteiristas tentaram todas as combinações de casais possíveis, com a exceção dos irmãos Ross e Monica – se bem que até os dois se beijaram, num episódio em que confundem as identidades. As tentativas de incluir um sétimo personagem – geralmente o namorado ou namorada de algum deles – sempre fracassou, e o novo mebro do grupo rapidamente era retirado do programa. O seriado enfrentou dificuldades também quando os atores, aproveitando o estrelato, tentaram entrar para o mundo do cinema. Houve ocasiões em que episódios inteiros eram gravados sem que todos os atores pudessem comparecer – assim, apenas 3 ou 4 dos seis amigos apareciam juntos nas cenas. Friends conseguiu ser quase sempre engraçado. E assim como amigos de verdade, Friends sempre foi mais uma questão de familiaridade que de diversão. |
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