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'Napster de notícias' vai driblar censura, diz professor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Até 2010, arquivos de notícias vão ser trocados da mesma maneira que os de música são hoje, para driblar a censura dos meios de comunicação. A previsão é do professor Ross Anderson, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, e um dos criadores do conceito de troca de arquivos peer-to-peer (P2P) – a forma popularizada por programas como Napster e Kazaa. Para ele, no futuro as pessoas vão publicar notícias através de serviços P2P da mesma maneira que hoje elas o fazem com canções em MP3. O objetivo, segundo o especialista, seria cobrir assuntos que atualmente são ignorados pelos principais provedores de informação do mundo. "Atualmente, só as notícias que se julgam ser de interesse de americanos e europeus ocidentais são transmitidas para todo o mundo, porque é aí que está o dinheiro", afirmou à BBC o professor Anderson. Prioridades "No entanto, se alguma coisa acontece no Peru que é de interesse das pessoas na China ou no Japão, isso jamais será prioridade nas agências de notícias." O americano acredita que a troca de notícias vai possibilitar a quebra desse controle sobre as prioridades noticiosas – permitindo a uma estação de rádio ou jornal local falar com quem seja de interesse –, tornando o processo de comunição mais eficiente. Para transformar esse sonho em realidade, o especialista propõe uma atualização da atual versão da Usernet, a internet de notícias. Anderson não acredita que esse tipo de serviços vá ser seqüestrado por criminosos e terroristas. Para ele, órgãos reguladores como a Internet Watch Foundation, que monitora o abuso de crianças na internet, poderiam fiscalizar isso facilmente. Acordos internacionais No entanto, para que isso funcione, seriam necessários vários e importantes acordos internacionais de cooperação. "O efeito de redes de peer-to-peer será dificultar a censura, não impossibilitá-la", alerta o professor. "Se há material que todos concordam ser pernicioso, como pornografia infantil, então é possível rastreá-lo e encontrar os culpados. Mas, se há material que apenas os governos acreditam ser pernicioso, me desculpem, mas azar o deles." O analista de tecnologia Bill Thompson gostou das idéias de Anderson para enfraquecer o poder dos provedores internacionais de notícias. Para ele, esse tipo de sistema P2P daria a todos uma voz e permitiria que testemunhos pessoais viessem à tona. Tecnologia No entanto, para Thompson, a tecnologia que vai tornar isso possível e acessível a todos ainda deve levar mais tempo para ser criado do que imagina o professor Anderson. Para ele, Anderson subestima os obstáculos políticos diante dessa evolução, e o professor também não teria se aprofundado suficientemente na questão da censura. "Uma vez construída a tecnologia para burlar a censura, você acaba com ela. Mesmo para coisas que você quer censurar", diz o analista. "Dizer que você pode controlar algumas partes, como imagens de abuso infantil, é ser forçadamente otimista. E isso é algo que os defensores do peer-to-peer têm que encarar", conclui Bill Thompson. |
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