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Atualizado às: 08 de abril, 2004 - 16h48 GMT (12h48 Brasília)
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75% dos londrinos dizem estar felizes com a cidade

Carnaval de Notting Hill
O carnaval caribenho de Notting Hill é uma expressão da diversidade cultural e do caráter cosmopolita que os londrinos aplaudem

Todo morador de uma metrópole costuma ter um motivo ou outro para reclamar de sua cidade. O londrino não é diferente.

Mas uma pesquisa recém-divulgada revela que os habitantes de Londres adoram sua cidade.

Quase 75% dos entrevistados se disseram felizes de morar na capital inglesa. Este número sobe para 82% entre os negros e chegam à quase unanimidade de 91% entre os asiáticos.

Eles se sentem, acima de tudo, londrinos – sejam britânicos de outras regiões do país ou brasileiros, por exemplo.

Cultura atraente

"Todo mundo que mora aqui se sente londrino. Você sente que faz parte da cidade", declara a capixaba Suki Lam, de 43 anos, capixaba de ascendência chinesa, proprietária do restaurante Canela, inaugurado neste mês em Covent Garden, no coração turístico da capital – seu segundo empreendimento como imigrante.

 Você não se sente estrangeiro em Londres.
Rogério Correa, osteopata.

Londrina há 14 anos, dos quais 12 anos à frente do restaurante natural Neal’s Yard Salad Bar, também em Covent Garden, desde a adolescência se encantou pela história da cidade.

"Eu lia muito os escritores antigos bastante ligados a Londres, como Charles Dickens e Samuel Pepys. Ficava sonhando", conta ela, "A parte cultural é o que me atrai muito em Londres. É um aspecto muito forte. Aqui tem de tudo e é uma das cidades mais antigas da Europa."

Os fatores que transformaram a capixaba numa londrina foram detectados pela pesquisa realizada pela Mori e encomendada pela Assembléia Legislativa de Londres.

Ônibus de dois andares nas ruas de Londres, com a catedral de São Paulo ao fundo
O trânsito infernal é uma das reclamações dos moradores

Cada um faz o que quer

O estudo conclui que a herança histórica e a diversidade cultural - que faz da cidade uma das mais cosmopolitas do mundo - são o grande motivo de orgulho dos londrinos.

Na sua capital, eles podem desfrutar tanto de rituais tradicionais ligados à realeza (como a troca da guarda no palácio de Buckingham) como de eventos como o carnaval de Notting Hill, que celebra a cultura de um grupo de imigrantes.

Além disso, Londres é considerada uma cidade inclusiva, multicultural.

"Aqui, as pessoas encontram sua própria igreja, mesquita ou templo; encontram sua comida típica", disse em entrevista ao jornal londrino Evening Standard o especialista em comunidades étnicas londrinas Andrew Gimson.

Raiz temporária

O osteopata carioca Rogério Correa, de 43 anos, também vê esses fatores como uma característica positiva da cidade.

 Apesar de todos os problemas, Londres tem um lado bonito.
Suki Lam, proprietária do restaurante Canela.

"Aqui, as pessoas são aceitas, qualquer que seja a nacionalidade ou a cor. Existe uma mistura grande de pessoas. Você não se sente estrangeiro em Londres. Isso é muito bom", diz ele.

Rogério veio para Londres estudar por três anos e está "temporariamente" na cidade há quase 17 anos.

"Londres te pega de maneira sutil", diz ele, "é uma cidade que tem muito a oferecer. Tem sempre alguma coisa boa para fazer. É um bom lugar para trabalhar, estudar e fazer dinheiro. É uma cidade que funciona."

Além disso, ele gosta do fato de a capital oferecer muitas áreas verdes.

"Não é uma cidade vertical, você não se sente oprimido por prédios altos, não se sente muito numa cidade grande, e ela é descentralizada", completa.

Medo de atentados

Como bom londrino, Rogério Correa não é cego aos defeitos da cidade. Reclama do tempo, do transporte, do preço das coisas ("tudo é muito caro"), da dificuldade de fazer amigos ("as pessoas são reservadas"), das grandes distâncias entre os bairros ("Londres são várias cidades").

Mas, para o osteopata, o que tem incomodado mais ultimamente é uma certa paranóia de atentado terrorista. Ele viveu um período de atentados do IRA (o Exército Republicano Irlandês), nos anos 80 e 90, mas acha que agora é diferente.

"O IRA (o Exército Republicano Irlandês) atuava de maneira diferente, costumava avisar quando ia atacar. Pode ser uma percepção errada mas, agora, me sinto mais vulnerável”, declara.

Mas nem isso acelera seus planos de "um dia" voltar para o Brasil.

Difícil ir embora

"Não adoro Londres, mas gosto de Londres. É uma cidade fácil de se viver. Você acaba passando a vida aqui sem perceber, fica sem motivo para ir embora", diz ele.

Suki Lam concorda: "Apesar de todos os problemas, Londres tem um lado bonito. O londrino é muito aberto ao estrangeiro, a coisas novas, é muito receptivo culturalmente".

Outras partes do país olham para a capital com um certo olho comprido, querendo tirar uma casquinha desse orgulho de ser londrino.

A pesquisa da Mori revelou que, até fora das áreas limítrofes de Londres, mas relativamente próximas, dois em cada três moradores se identificaram como londrinos.

Mais do que um fator geográfico, parece ser um estado de espírito.

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