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Atualizado às: 19 de novembro, 2003 - 17h52 GMT (15h52 Brasília)
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Para biógrafo de Londres, cidade é 'masculina'

Bolsa de Valores
Centro financeiro movimenta US$ 75 bilhões por ano

"Londres é uma cidade masculina."

A polêmica afirmação é do escritor Peter Ackroyd, autor de London: The Biography e uma das maiores autoridades na história da cidade.

Muita gente se refere à capital inglesa como uma cidade austera. Mas, masculina?

"Esta é uma cidade, antiga capital de um império, que tem como base de sustentação o poder, o comércio, a dominação. É uma cidade impiedosa", diz Ackroyd.

Multiculturalismo

"Talvez seja injusto com os homens, mas estas são características atribuídas ao sexo masculino", explicou o escritor durante o lançamento de seu novo livro, uma versão ilustrada da biografia da capital, Illustrated London.

Toda essa testosterona é o que faz bater acelerado o coração da City, o centro financeiro da capital, que movimenta o equivalente a 150 bilhões de reais por ano.

Além disso, Ackroyd aponta outra característica fundamental da cidade: o multiculturalismo.

"A história dos imigrantes em Londres é a história de Londres", diz o escritor.

"Sempre foi assim. Londres foi construída a partir da imigração – os saxões, os normandos, os latinos. Ela usa as pessoas, a mão de obra barata, mas também adota os imigrantes."

 Londres é a terra do espetáculo

O escritor Peter Ackroyd

Londrino gosta de um show

O londrino trabalha pesado mas se diverte na mesma proporção. E isto, observa Ackroyd, também é histórico.

"O entretenimento existe desde que a cidade existe. Londres é a terra do espetáculo" – desde as execuções públicas nos parques aos teatros elizabetanos.

Este é um dos motivos por que, para ele, eventos como o recente jejum do ilusionista americano David Blaine numa caixa transparente à margem do rio Tâmisa não chega a constituir uma novidade.

"Este tipo de teatricalidade em Londres vem de longa data", afirma o escritor.

Aquisições recentes, como a roda-gigante do milênio, provocam a mesma análise distanciada.

Poder de regeneração

Turistas na capsula do London Eye
London Eye recupera vocação da margem sul do Tâmisa

O London Eye, a elegante versão high-tech de uma atração de parque de diversões, é saudada pelas autoridades e pelo público não só como grande entretenimento mas também como grande responsável pela regeneração de uma área pobre da cidade.

Isto tampouco é novidade, diz Peter Ackroyd.

"Não há nada particularmente especial em relação ao London Eye. Até ela tem predecessores."

O que se vê com a roda-gigante, o Globe Theatre (a réplica do teatro de Shakespeare) e a Tate Modern, na opinião do biógrafo de Londres, é nada mais que o renascimento da margem sul do Tâmisa como um lugar de espetáculo, teatro, entretenimento.

Em séculos passados, a margem sul foi o centro da boemia e diversão do londrino.

"Londres é assim. Alguns lugares ficam em estado de suspensão por uns 200 anos e, de repente, se revitalizam."

Nada surpreende

Quando deixa o papel de observador e se mistura à massa em busca dos prazeres da cidade que provavelmente conhece como ninguém, Peter Ackroyd evita os marcos históricos, como o palácio de Buckingham e Trafalgar Square.

 Londres ultrapassa limite e convenção. Ela contém todo desejo e toda palavra jamais ditos, toda ação e gesto jamais feitos, toda declaração cruel ou nobre jamais expressa.

O escritor Peter Ackroyd

Se tivesse que apresentar Londres a um amigo turista, revelar os aspectos que a tornam seu centro urbano preferido, o biógrafo o levaria a áreas que considera sagradas, como o bairro de Clerkenwell ("impregnada de história teatral e de política radical"), sobre o qual escreveu um livro.

Ou, ainda, o bairro de Bloomsbury, de forte tradição literária.

De fala mansa e um certo ar blasé, Peter Ackroyd fala como se nada nesta cidade o abalasse.

Talvez porque a intensa pesquisa para a biografia de Londres também o tenha transformado, de certa forma, em personagem desta riquíssima história de 2 mil anos.

Como será no ano 3 mil

"Não há nada em Londres que provoque minha raiva ou meu desconforto. A cidade parece estar sempre espelhando ou reproduzindo padrões de períodos passados. Não há nada, em particular, que cause descontentamento."

Nem mesmo os aspectos negativos, como o número de mendigos e drogados nas ruas, o trânsito infernal, a desigualdade social?

A resposta está no epílogo de Londres: a Biografia.

“Quando se pergunta como Londres pode ser uma cidade triunfante quando tem tantos pobres e tantos sem-teto, pode-se dizer apenas que eles, também, sempre fizeram parte de sua história. Talvez sejam parte de seu triunfo."

"Se esta é uma afirmação dura, é apenas tão dura quanto a própria Londres. Londres ultrapassa limite e convenção. Ela contém todo desejo e toda palavra jamais ditos, toda ação e gesto jamais feitos, toda declaração cruel ou nobre jamais expressa. Ela é ilimitada. Londres é infinita.”

E como ele vê Londres no futuro?

"Haverá suficiente consistência na personalidade e na vida de Londres para que ela nos seja familiar. Tenho certeza de que, daqui a mil anos, ela será razoavelmente reconhecível como Londres."

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