BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 03 de março, 2004 - 09h26 GMT (06h26 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
'Harry e Sally' gay chega ao West End de Londres

Os atores Alyson Hannigan e Luke Perry, em cartaz em Londres com a peça 'When Harry Met Sally'
Meg Ryan ficou famosa com a cena em que fingiu orgasmo no filme
A peça When Harry Met Sally, adaptação do filme Harry & Sally – Feitos Um para o Outro, estreou em Londres cercada de publicidade e com dois nomes de Hollywood no elenco: os atores de seriados de TV americanos Luke Perry e Alyson Hannigan. Mas decepcionou a crítica.

Não há de ser nada. Vem aí When Harry Met Barry, o musical.

Não, não é um erro de grafia. São dois nomes masculinos mesmo, Harry e Barry. Uma história gay. E já vem com recomendações.

O espetáculo, escrito e dirigido por um ilustre desconhecido, fez uma curta temporada há dois anos num teatrinho do circuito alternativo e recebeu críticas elogiosíssimas que levaram um empresário a garantir os direitos de montagem no West End.

Romance moderno

"É um dos melhores exemplos de novo teatro musical", escreveu o crítico da revista especializada Dress Circle, na época.

When Harry Met Barry se passa nos clubes e cabarés do Soho e começa com a chegada do cupido Betty Blue (uma cantora de cabaré, meio diva) ao bairro para ajudar os corações solitários a encontrarem o amor.

Bush Theatre, em Londres
O circuito alternativo alimenta a indústria teatral

Ela arma um romance entre o clubber Spencer e Harry, um cozinheiro que apresenta um programa de culinária na TV. O outro casal em que ela dá um empurrãozinho é formado por Alice, que trabalha numa livraria, e o advogado bonitão Barry.

Mas as coisas não saem como planejado, e a história vira de cabeça para baixo quando Harry e Barry pegam o mesmo táxi por acaso.

Bilheteiro talentoso

Esta comédia de costumes, que explora a complexidade das relações amorosas modernas e a vida num grande centro urbano, foi escrita pelo irlandês Paul Emelion, de 32 anos.

Um apaixonado por teatro musical, ele assina o texto e a música. "Sou um one-man show", disse em entrevista à imprensa londrina, "o que significa que sai barato trabalhar comigo".

 O fringe continua sendo uma característica do teatro londrino
Chris Fisher, presidente do Fringe Theatre Network

Emelion criou esquetes para teatro de revista e escreveu um outro musical que passou despercebido. Para sobreviver em Londres, trabalhava nas horas vagas na bilheteria de um quiosque de venda de ingressos para teatro na Leicester Square, no coração da área turística da cidade.

When Harry Met Barry é sua primeira obra de sucesso e a primeira a chegar ao circuito comercial. Em termos de estilo, estaria mais para Sondheim do que para Andrew Lloyd Webber.

Do teatrinho para o teatrão

A julgar pelas críticas, o jovem dramaturgo irlandês tem jeito para a coisa.

"Fraseados melódicos e letras inteligentes", comentou uma crítica. "A platéia se envolve com os personagens, ri e chora com eles, e se identifica com os altos e baixos de sua trajetória", disse outra.

A data de estréia ainda não está definida, mas When Harry Met Barry tem chances de repetir o sucesso de inúmeras outras produções que nasceram nas dezenas de palcos alternativos de Londres – o chamado fringe.

O exemplo mais recente é o musical Jerry Springer, the Opera, que estreou em 2002 no pequeno palco do teatro Battersea Arts Centre; foi fisgado pelo prestigioso National Theatre, onde fez uma temporada de lotação esgotada; e acabou transferido para o West End, onde continua sua carreira de sucesso.

Neste ano, recebeu os cobiçados prêmios Olivier e Evening Standard de Melhor Musical, entre outros.

Nomes consagrados

Com sua ousadia, experimentalismo e aposta no novo, o fringe é uma eterna fonte de talentos que mantém energizada a indústria teatral londrina.

Embora muito artista em início de carreira comece no circuito alternativo, ao mesmo tempo em que trabalha de garçom/garçonete, bilheteiro ou lanterninha de teatro para sobreviver, o fringe não é sinônimo de amadorismo.

Vanessa Redgrave
A veterana Vanessa Redgrave prestigia o teatro alternativo

Muita gente consagrada opta pelo fringe por ideologia ou pelo simples prazer de trabalhar em espaços pequenos para um público diferente.

Não é raro, por exemplo, ver em cartaz no teatrinho de um pub - como o do tradicional King's Head, no bairro de Islington - uma produção impecável de um texto de Noel Coward com a atriz Vanessa Redgrave e seu irmão, o veterano Corin Redgrave.

Aposta no novo

"O fringe continua sendo uma característica fundamental do teatro londrino", observa Chris Fisher, presidente do Fringe Theatre Network, organização que representa teatros do circuito alternativo de Londres.

O teatro comercial bebe sempre nesta fonte. "Uma das nossas estrelas", diz Fisher, "é o diretor Stephen Daldry, que esteve à frente do Gate Theatre (um teatro de pub) antes de ficar famoso internacionalmente".

Daldry ganhou fama mundial com a direção do filme Billy Elliot. Mas, volta e meia, ainda empresta seu talento ao fringe.

A montagem do musical gay When Harry Met Barry apresentará ao grande público do West End mais um talento nascido à margem do circuito "oficial".

Se fará sucesso num grande palco, ou não, saberemos dentro de alguns meses. Mas já tem gente na torcida.

"Muitos musicais bons acabam 'perdidos'. Espero que este espetáculo tenha a chance de alcançar seu potencial e seja visto fora do circuito alternativo", disse o crítico Ken McKee, quando o musical estreou num teatrinho da Zona Norte de Londres há dois anos. Um desejo realizado.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade