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Atualizado às: 06 de novembro, 2003 - 04h24 GMT (02h24 Brasília)
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Inquérito sobre morte de David Kelly vira peça em Londres
David Kelly
Morte de David Kelly foi tema do inquérito

Chegou aos palcos de Londres um dos mais recentes dramas da política britânica, o inquérito Hutton.

A peça de teatro Justifying War (Justificando a Guerra, em tradução literal) trata da investigação sobre as circunstâncias da morte do especialista em armas do governo britânico David Kelly, que aparentemente se matou em julho deste ano.

Richard Norton-Taylor, editor de assuntos de segurança do jornal britânico The Guardian, é o responsável pela transposição para o palco do inquérito, cujos últimos depoimentos ocorreram em setembro.

Norton-Taylor selecionou e editou trechos do inquérito Hutton, adaptando-os para o teatro. O juiz Brian Hutton, que presidiu o inquérito, ainda não divulgou as suas conclusões.

Dossiê

Especialista em controle de armas, Kelly trabalhou como inspetor no Iraque de 1991 a 1998.

Ele era a fonte da reportagem de Andrew Gilligan, jornalista da BBC que afirmou que o governo havia "maquiado" um dossiê sobre o programa de armas do Iraque antes da guerra, para convencer os britânicos da necessidade de atacar o país.

Kelly não era identificado na reportagem, mas o nome do cientista acabou se tornando público em meio a uma polêmica entre a BBC e o governo. No inquérito Hutton, as circunstâncias em que Kelly foi identificado foram tema de várias perguntas feitas aos representantes do Ministério da Defesa e da equipe de Comunicação do gabinete do primeiro-ministro Tony Blair.

Um dos pontos mais controversos do dossiê foi a alegação de que o Iraque poderia mobilizar armas de destruição em massa em apenas 45 minutos depois de tomada a decisão pelo regime de Saddam Hussein.

Segundo a polícia, Kelly cometeu suicídio dias após ter deposto perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que avaliava se o governo havia exagerado ou não em trechos do dossiê.

Kelly foi convocado como testemunha depois que seu nome vazou para a imprensa britânica.

'Objetividade'

Norton-Taylor disse que tentou ser objetivo ao fazer a edição dos depoimentos.

"Queria evitar que a peça se transformasse num manifesto antiguerra. Ao fazer isso, acho que a peça apresenta um interesse mais amplo."

O inquérito ouviu 75 testemunhas ao longo de 25 dias. A peça contém parte das informações coletadas junto a 12 dessas testemunhas.

Entre elas, a mulher do especialista em armas, Janice; Alastair Campbell, então diretor do gabinete de Comunicação do primeiro-ministro Tony Blair; o secretário de Defesa, Geoff Hoon; e o presidente do Conselho Administrativo da BBC, Gavyn Davies.

Norton-Taylor disse que não incluiu o depoimento do primeiro-ministro britânico porque a contribuição de Blair "não foi muito esclarecedora".

O jornalista do Guardian disse ainda que a dramatização do depoimento de Blair poderia se tornar caricatural, tirando a atenção dos outros personagens.

O testemunho de Blair foi o ponto alto do inquérito, não só pelo impacto causado pela presença do primeiro-ministro no tribunal, mas também porque a credibilidade do seu governo também estava em xeque.

Inquéritos célebres

Justifying War não é a primeira peça em cartaz no mesmo teatro, o Tricycle, sobre casos de tribunal, como os depoimentos sobre o massacre de Srebrenica (Bósnia).

O próprio Norton-Taylor editou trechos dos julgamentos de Nurembergue (nazistas).

Há dez anos, o Tricycle apresentou ainda a peça Half the Picture (Metade do Quadro, em tradução literal), baseada no inquérito que investigou as vendas de armas da Grã-Bretanha para o Iraque.

O advogado Jonathan Davies elogiou a peça e disse que a representação de trechos do inquérito, que não foi transmitido pelas redes de TV britânicas, fez com que a história ganhasse vida.

"Estamos, no entanto, num momento curioso, já que nada é novo, pois lemos tudo nos jornais, e ainda não sabemos o que lorde Hutton vai dizer (no seu relatório). Por isso, esse é o melhor momento para que dramaturgos tomem o melhor proveito da história e aproveitem para atrair o público."

Apesar de o conteúdo do inquérito já ser conhecido, o aposentado Ross Anderson disse que isso não tira o interesse da peça.

"Porque algum tempo já se passou, é interessante ouvir parte do que se passou de novo."

"Muito sucinto e revelador e faz a gente pensar, mas não responde a muito mais perguntas do que as que já foram respondidas. Mas a peça cumpriu o seu papel, e o tempo passou rápido, levando em consideração o tema difícil", disse a estudante Liz Churnell.

A peça fica em cartaz até o dia 29 de novembro.

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