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Semana de Moda de Londres aposta na diferença | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os clubes, restaurantes e hotéis moderninhos de Londres estão fervilhando esta semana. Bem-vindos à Semana da Moda de Londres: seis dias em que 170 estilistas apresentam suas criações, na passarela ou em exposições. Os sinais se repetem a cada seis meses: mulheres glamurosas, editores das revistas de moda mais influentes do mundo, fotógrafos e aquele batalhão de estilosos que passeiam modelitos comportados em diferentes tons de preto, ao mesmo tempo em que tentam convencer os comuns mortais de que o “quente” da estação é uma combinação de cores e modelos alucinados. Espremida entre os desfiles de Nova York e Paris, a temporada londrina está numa constante gangorra – uma hora está no topo da forma e, em seguida, é acusada de não conseguir atrair grandes nomes. Londres pode não ter a força da indústria da moda milanesa, o glamour parisiense ou o poder do mercado americano mas uma coisa parece indiscutível: a temporada fashion londrina é sempre uma demonstração de criatividade renovada, ousadia e surpresas. Usina de idéias
Reagindo às críticas de que a Semana da Moda de Londres (ou London Fashion Week) não está em pé de igualdade com as outras metrópoles do estilo, o presidente do Conselho Britânico da Moda Stewart Rose disse que “Londres não é Nova York, Paris ou Milão. É diferente e esta diferença é que deve ser festejada”. “Nós somos muito bons no que é novo e este é o nosso ponto forte, nossa marca registrada”, completou. É esta característica que continua atraindo à capital inglesa a legião de 4 mil editores de moda e compradores dos quatro cantos do mundo. Eles terão se impressionado com a coleção outono/inverno 2004/05 do iniciante Bora Aksu, de origem turca, recém-formado pela escola de moda Central St. Martin’s e que estreou na Semana da Moda de Londres colocando na passarela guerreiras em vestidos de chiffon e couro. Moda atrevida Ele é um dos exemplos da moda atrevida praticada por estilistas radicados em Londres, muitos deles com sobrenomes que, como o de Aksu, evidenciam origens as mais diversas. Tanto nomes estabelecidos, como Ronit Zilkha, Eley Kishimoto, Michiko Koshino e Nicole Farhi, quanto talentos emergentes como Katarzyna Szczotarska, Jens Laugesen, Julie Verhoeven, Gharani Strok e Tata-Naka. Esta diversidade cultural é um dos ingredientes fortes no caldeirão criativo da cidade.
Que o diga Sophia Kokosalaki, 30 anos, grega que adotou Londres há alguns anos, quando veio estudar moda feminina na Central Saint Martin’s e que, nos últimos dois anos vem-se firmando no firmamento fashion. Brasileiro de sucesso Considerada pela revista Vogue como “a grande estrela do cenário da moda em Londres”, no momento, ela mora e trabalha num estúdio no bairro de Hackney, zona Leste da cidade, que concentra uma comunidade de jovens designers. Consagrada em Londres, Kokosalaki foi convidada a criar o guarda-roupa da cerimônia de encerramento das Olimpíadas em Atenas, este ano. A passarela da London Fashion Week foi também o trampolim para o sucesso do brasileiro Inácio Ribeiro que, com sua mulher, a inglesa Suzanne Clements, criou a já badalada etiqueta Clements Ribeiro. Donos de um estilo próprio e mestres no casamento de cores e estamparias inesperadas, eles conquistaram o público em geral e celebridades, em particular. Entre as fãs de suas criações estão Madonna, Gwyneth Paltrow, Demi Moore, Michelle Pfeiffer, Cameron Diaz e a cantora Dido.
Reis do estilo Premiadíssimos pela indústria britânica da moda e com suas criações vendidas nas grandes lojas de departamentos londrinas (como Harvey Nichols e Selfridges) - e mais lojas importantes de Nova York, Paris, Milão e Cingapura -, Inácio e Suzanne acabaram sendo atraídos para Paris, em 2000, pela Cacharel. Seguiram os passos de outros enfant terribles da moda londrina convocados para injetar sangue novo em estagnadas maisons parisienses: John Galliano na Dior, Alexander McQueen e depois Julien MacDonald na Givenchy, Stella McCartney na Chloé. Todos, esquentando a frenética dança das cadeiras na chefia das grandes casas de moda e escalando rapidamente os degraus da alta costura. Depois de uma temporada afastada da Semana da Moda de Londres, a etiqueta Clements Ribeiro volta a ser destaque no evento. Passarela das ruas Enquanto a nova geração disputa espaço neste mercado altamente competitivo, veteranos da moda londrina seguem apresentando coleções consistentes e deixando claro que são donos de um território demarcado, com faturamento na casa das dezenas a centenas de milhões de libras esterlinas e presença em vários países. São assinaturas famosas como Paul Smith, Ghost, Betty Jackson e Margaret Howell. Seguindo um tema náutico em sua coleção para a estação fria, Paul Smith decretou: "É hora de roupas elegantes, usáveis e feitas com precisão". Tomem nota. O homem sabe do que fala. Não é à toa que tem nada menos que 200 pontos de venda no Japão.
Encerrada a Semana da Moda de Londres nesta quinta-feira, 19, o circo da moda arma sua tenda em Milão e depois Paris, seguindo uma agenda apertada de maratonas de desfiles e noites insones em clubes badalados e bares de hotéis de luxo. Londres volta à normalidade mas os londrinos, blasés em relação aos rigores da moda, seguem vestindo-se de maneira curiosa e original – a verdadeira passarela onde estilistas dos quatro cantos do planeta vêm buscar inspiração. |
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