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Polícia londrina se arma para entrar na moda | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para muito turista, os policiais da Scotland Yard fazem parte da paisagem de Londres - tanto quanto o Big Ben e o Palácio de Buckingham. Em seu uniforme e chapéu-capacete que parece saído de um filme de época em preto e branco, a figura do policial sorridente posando para fotos, a cavalo ou a pé, é a imagem positiva que a Scotland Yard quer capitalizar. Uma das forças policiais mais famosas do mundo, ela agora quer entrar na moda. Está com planos de lançar uma etiqueta de roupas e acessórios com a marca da corporação, como já fazem os colegas do outro lado do Atlântico, o FBI e a polícia de Nova York. Ordem no caos Até a criação da Scotland Yard, em 1829, a lei e a ordem em Londres eram mantidas de forma desordenada e ineficiente por grupos isolados. Não existia uma autoridade policial. Quando foi finalmente organizada, graças a uma lei proposta por Sir Robert Peel, a polícia metropolitana londrina passou a contar com mil policiais para guardar uma população de 2 milhões de pessoas. Atualmente, ela emprega uma força de 29 mil policiais – sem incluir aí o pessoal de escritório, guardas de trânsito e grupos de apoio comunitário –, responsáveis pela segurança de 7 milhões de habitantes.
Mudou a dimensão da Scotland Yard e vem mudando também sua imagem. 'Visual' descontraído A corporação tem um número cada vez maior de mulheres e, acusada de comportamento racista, vem fazendo seguidas campanhas de recrutamento junto a minorias étnicas - permite, inclusive, que os policiais sikhs usem o turbante de sua religião, no lugar do tradicional capacete ou quepe. A austeridade do uniforme do passado também vai aos poucos se adequando aos novos tempos. O ar mais descontraído da Londres deste século 21 se presta melhor aos planos do departamento de marketing da polícia londrina de se arriscar no mundo da moda. Além de licenciar seu logotipo para uso em suvenires, a Scotland Yard já vende através de seu website vários objetos – desde camiseta e decantadores de uísque a miniaturas em bronze de policiais em ação contra-terrorista. Os preços vão das 13 libras esterlinas às 87 libras (cerca de R$ 65 a R$ 435). Combate ao crime compensa Mas a polícia quer partir para a ofensiva: expandir sua linha de roupas para estampar sua marca em bonés, moletons, calças e camisetas esportivas para vender não só através do website, mas também nas lojas da cidade. Em entrevista recente, o diretor de recursos, Keith Luck, chegou a considerar a possibilidade de a Scotland Yard abrir uma lojinha no aeroporto de Heathrow. "Nós temos um potencial de mercado fenomenal", avaliou, "vai chegar o dia em que venderemos camisetas pólo de alta qualidade com o logo da Scotland Yard na manga e na lapela".
Ainda não há uma previsão de lançamento, mas o departamento de marketing da polícia londrina já está dando tratos à bola para aumentar seu faturamento com merchandising (a lei permite que ela arrecade desta forma até 1% do seu orçamento anual, algo em torno de 20 milhões de libras, ou R$ 100 milhões). Para isso, foi até criado um Departamento de Eventos e Aumento de Receita. A imagem da Scotland Yard de intrépida força de combate ao crime pode compensar. A guerra da moda Para quem visita Londres – inclusive os brasileiros, acostumados a uma polícia de modo geral truculenta -, surpreende a gentileza dos policias londrinos, ou bobbies, como são chamados aqui, no trato com o público. É possível que essa simpatia anime o visitante a levar como lembrança um modelito com o emblema da Scotland Yard (o departamento de marketing acredita que haverá uma grande demanda por parte dos americanos). Mais difícil será convencer o consumidor londrino, que tem uma visão menos romantizada de sua polícia e, em matéria de moda, é bem pouco convencional. A Scotland Yard, ou New Scotland Yard, como também é conhecida, diz que seu objetivo é "tornar Londres a grande capital mais segura do mundo". Missão ambiciosa mas, provavelmente, mais fácil do que enfrentar o aguerrido mundo da moda londrina. Ali, falta de estilo é considerado crime. |
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