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Temos chance em Oscar de edição, diz Meirelles
A marca inédita para um filme brasileiro obtida por Cidade de Deus – quatro indicações ao Oscar – não deixa o diretor do longa-metragem, Fernando Meirelles, muito confiante. "Não quero dar uma de pessimista, mas temos pouca chance. Talvez uma seja a categoria de edição. O montador, Daniel Rezende, ganhou o Bafta, (o Oscar britânico), batendo Gangues de Nova York, Chicago e O Senhor dos Anéis", disse Meirelles, em entrevista à BBC Brasil. Para Meirelles, prêmios para roteiro adaptado e fotografia são hipóteses remotas, mas o mais difícil, crê, é ele próprio ganhar. "Prêmio de direção? Imagina, com todos aqueles figurões concorrendo. Mas estamos todos felizes com essa zebra." Mudanças na Academia Assim que soube das quatro categorias em que o filme disputará o Oscar, Meirelles afirmou que a Academia (de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood) havia enlouquecido. "Cidade de Deus não é exatamente o filme que a Academia costuma nomear. Tem legendas, não traz uma narrativa clássica. Quando falei que era uma loucura, não era uma piada. Alguma coisa está mudando por lá."
Mas, para o diretor, se a Academia aparentemente enlouqueceu, a Miramax, que distribuiu o filme internacionalmente, agiu com grande lucidez. "Eles relançaram o filme em novembro e fizeram uma boa campanha, com projeções e envio de críticas aos jurados. Foi um trabalho excelente, mas de um ponto em diante depende do filme. Eles fazem o cara ver o filme, mas não podem forçar ninguém a votar." John Le Carré Meirelles acredita que o fato de o filme não ter sequer sido indicado a concorrer a melhor filme estrangeiro no ano passado e agora concorrer em mais de uma categoria se deve também a erros de estratégia cometidos em 2003. "Tentamos inscrevê-lo em melhor filme estrangeiro, sem que ele tivesse sido visto nos Estados Unidos. Agora, ele apareceu na TV, foi visto por muita gente e recebeu boas críticas." "Além disso, quem vota para filme estrangeiro é um público mais velho. Agora contamos com voto de toda Academia e de jovens atores, jovens fotógrafos, maquiadores de 22 anos, gente assim", comentou. O cineasta não crê, no entanto, que o filme possa contribuir para o projeto que ele desenvolve atualmente, em Londres - a produção britânica The Constant Gardener, inspirada em livro de John Le Carré e com Ralph Fiennes e Danny Huston no elenco. "Estamos ainda à procura de uma atriz, mas mesmo antes do Oscar, já havíamos recebido telefonemas de Nicole Kidman e de Demi Moore que disseram estar interessadas no projeto." |
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