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Atualizado às: 17 de dezembro, 2003 - 17h34 GMT (15h34 Brasília)
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Nova galeria é ponto alto dos 250 anos do Museu Britânico

Galeria do Iluminismo, no Museu Britânico, em Londres
Galeria do Iluminismo reúne objetos que ajudaram a formar o Museu Britânico e dar sentido ao mundo no século 18

Os maiores salões neoclássicos de Londres foram finalmente abertos ao público, neste fim de semana, depois de três anos de um detalhado trabalho de restauração, calculado em 8 milhões de libras esterlinas, o equivalente a 40 milhões de reais.

Antiga biblioteca que reunia os livros do rei George III e parte do Museu Britânico, o espaço construído no início do século 19, agora abriga a nova Galeria do Iluminismo.

Ela é o ponto alto das comemorações, este ano, dos 250 anos do museu mais famoso da capital britânica.

“A idéia é mostrar como os estudiosos e colecionadores da época tentaram dar sentido ao mundo como um todo através dos objetos coletados ou comprados”, diz o vice-diretor do Museu Britânico Andrew Burnett, “fazendo a ligação entre as diferentes partes do mundo, diferentes religiões e culturas.”

Ninho de beija-flor

A nova galeria - com seu esplendor de mármore de Carrara, alabastro, granito e detalhes folheados a ouro de 23,5 quilates - reúne cerca de 5 mil objetos dos quais só 20 foram expostos antes.

A grande maioria dos artefatos vem da coleção do próprio museu, guardados todos esses anos nos porões do prédio, mas uma boa parte é emprestada de outras instituições, como a biblioteca da Câmara dos Comuns (a câmara baixa do parlamento britânico), o Museu da Ciência, o Victoria e Albert, e o Museu da História Natural.

Galeria do Iluminismo, no Museu Britânico

 Quando entra aqui, você volta no tempo e pode ver as coisas que as pessoas da época colecionavam e que usavam para criar uma espécie de museu universal.

Kim Sloan, curadora da Galeria do Iluminismo.

Deste último, há a única peça vinda do Brasil: um ninho de beija-flor trazido do Rio de Janeiro pelo capitão Cook, em 1768 – é o único ninho sobrevivente da viagem de exploração do navio Endeavour.

A expedição foi a primeira viagem a reunir um grupo de homens especificamente com a missão de descobrir e relatar as maravilhas da natureza em outras partes do mundo.

Momento revolucionário

Foi um período em que o conhecimento na Europa começou a ser organizado e que a arqueologia, a história natural e a etnografia transformaram-se em disciplinas científicas; uma era de descobertas e aprendizado, em oposição ao que se convencionou chamar de obscurantismo da Idade Média.

Foi um momento na história da humanidade que muita gente considera revolucionário.

Não por acaso, a exposição na nova galeria do Museu Britânico é intitulada “O Descobrimento do Mundo no século 18”.

A coleção de curiosidades e excentricidades que, naquele momento, formavam o museu passaram a ter sentido.

“Quando entra aqui, você volta no tempo e pode ver as coisas que as pessoas da época colecionavam e que usavam para criar uma espécie de museu universal, por meio do qual podiam aprender coisas sobre o mundo”, observa Kim Sloan, curadora da Galeria do Iluminismo.

Ciência x religião

Muitas vezes, este processo de aprendizado punha em xeque crenças e preconceitos estabelecidos, e teorias como a da evolução da espécie eram recebidas como heresia.

A descoberta arqueológica de machadinhas da Idade da Pedra, por exemplo, desafiou os ensinamentos bíblicos de que a Terra tinha cerca de 4 mil anos.

“Vários arqueólogos ou antiquários envolvidos nessas descobertas também eram clérigos, e o que eles estavam encontrando e constatando com seus próprios olhos não fazia sentido, de acordo com a teologia na qual sempre haviam acreditado”, conta a curadora Kim Sloan.

“Com isso, nasceram muitas teorias confusas naquele período, para tentar explicar essas coisas.”

Coordenadas do Museu Britânico
Endereço: Great Russell Street, WC1
Metrô: Tottenham Court Road, Russell Square
Funcionamento: de sábado a quarta-feira, das 10h às 17h30; quinta e sexta, até às 20h30
Ingresso: grátis

Elegância discreta

A mostra revela como nossa percepção da natureza e da humanidade mudou.

Para facilitar a compreensão do visitante do século 21, os objetos foram organizados em sete seções que ilustram o Mundo Natural, o Nascimento da Arqueologia, Arte e Civilização, os métodos de Classificação do Mundo, a decifração de Manuscritos da Antiguidade, a busca da origem comum das Religiões e Rituais, e o impacto do Comércio e Descobrimento de novas culturas.

Mas numa época em que os museus apelam cada vez mais para efeitos especiais, interatividade e outros truques chamativos, a Galeria do Iluminismo pode parecer meio sem graça para o passante apressado.

Os curadores mantiveram o espírito da antiga biblioteca real e a maioria dos artefatos está exposta nas estantes protegidas por vidros onde ficavam os livros dos reis Jorge II e Jorge III, que, em 1998 foram transferidos para a nova Biblioteca Nacional.

Nada de gigantescas efígies egípcias, múmias assustadoras ou outras grandiosidades. Esta é uma galeria que esbanja elegância mas principalmente discreção.

Sua inauguração fecha com chave de ouro o aniversário de 250 anos do Museu Britânico, que, fundado em 1753 é, em si, uma das conquistas do Iluminismo na Grã-Bretanha.

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