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Atualizado às: 18 de outubro, 2003 - 12h49 GMT (09h49 Brasília)
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Paris transforma prédio invadido em centro cultural

Fachada do squat 59 Rue de Rivoli (Foto: Anita Savary)
Squat é uma das atrações mais visitadas de Paris

Desde que assumiu o comando da Prefeitura de Paris, em março de 2001, o socialista Bertrand Delanoë tem tornado mais fácil a vida dos artistas na capital francesa que não dispõem de um local para trabalhar ou morar.

Ao contrário do que ocorre em outros países e mesmo em demais cidades da França, os artistas que invadem imóveis de propriedade da prefeitura de Paris não correm o risco de expulsão.

O mais famoso desses squats, como são chamados esses locais ocupados ilegalmente, fica na Rue de Rivoli, em pleno centro da capital, próximo ao Museu do Louvre.

Os primeiros invasores desse antigo imóvel de seis andares se instalaram no prédio há quatro anos. Na época, o prédio pertencia ao banco Crédit Lyonnais. Ameaçados de expulsão inúmeras vezes, os artistas estão agora mais tranqüilos: o local está prestes a se tornar um centro “oficial” de exposições de arte contemporânea.

Investimentos

A prefeitura de Paris gastou 4,6 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões) na compra do prédio e, recentemente, também decidiu realizar obras para que o local tenha melhores condições de segurança.

O custo dessas melhorias ainda não está definido, mas estima-se que a prefeitura irá desembolsar pelo menos 1 milhão de euros (R$ 3,3 milhões) na restauração do imóvel.

A prefeitura, que fornece gratuitamente água, gás e eletricidade aos moradores do número 59 da Rue de Rivoli, irá instalar os artistas em outro local durante a realização das obras. Eles retornarão ao squat após seu término.

Hoje, trabalham no squat pouco mais de 30 artistas de várias nacionalidades. Doze deles vivem no prédio.

O metro quadrado nessa área de Paris custa, em média, 6 mil euros (cerca de R$ 20 mil).

“O squat da Rue de Rivoli existe há bastante tempo e contribui, em razão do fato de ser aberto ao público, para a divulgação da arte contemporânea na cidade. O local é bastante visitado”, disse à BBC Brasil Rémy Bovis, conselheiro do secretário da Cultura de Paris e responsável pelos dossiês de squats de artistas, função que não existia até então na prefeitura.

Mais de 40 mil pessoas visitam anualmente o squat por curiosidade ou para descobrir o trabalho dos artistas, o que o torna o terceiro espaço de arte contemporânea mais visitado na capital francesa.

Bastam alguns minutos na entrada do prédio para constatar o grande fluxo de pessoas que circulam no local.

Realmente, é impossível passar em frente ao número 59 da rue de Rivoli, próximo à famosa Ponte Neuf, sem olhar para a fachada do prédio de seis andares.

Totalmente decorada com material reciclado, ela apresenta enormes imagens de rostos. Na entrada, música com volume alto, objetos colados nas paredes e esculturas por todos os lados.

O aposentado Joel Frot, de passagem por Paris, achou a entrada do prédio pitoresca e resolveu visitá-lo em companhia de seu filho. “Achamos o local interessante e à medida em que percorríamos os andares nossa curiosidade foi aumentando”, diz Frot.

Ele acha simpático encontrar algo que sai do comum em pleno centro de Paris. Mas afirma, no entanto, ter apreciado parcialmente as obras. Frot diz ter a impressão que os artistas do squat, pelo menos os dos primeiros andares, ainda têm muito a aprender.

Para os artistas que vivem no número 59 da Rue de Rivoli, a decisão da prefeitura de restaurar o prédio e permitir que eles voltem ao local após o término das obras é considerada uma vitória.

O francês Bernard Damien, que mora no squat há quase quatro anos, onde ocupa pouco mais de 20 metros quadrados, diz que o balanço final da invasão do prédio é extremamente positivo. “O squat está prestes a se tornar um local oficial e isso é um precedente importante para os artistas sem recursos e sem local para trabalhar”, afirma.

Segundo Rémy Bovis, conselheiro da prefeitura de Paris nos últimos dois anos e meio (ou seja, desde a posse de Delanoë), não houve na capital francesa uma única ordem de expulsão dada contra artistas que invadiram imóveis da prefeitura.

“Vários prédios municipais estão ocupados ilegalmente. Nós vamos assinar em breve acordos com três desses squats para permitir que seus moradores permaneçam ali até que encontrem um local definitivo”, afirma Bovis.

Ele diz ainda que o squat é uma solução efêmera e que seus moradores devem estar cientes disso. “Já a situação do squat da Rue de Rivoli é diferente. Ela será regularizada e o local terá um estatuto de espaço para a arte contemporânea”, diz Bovis.

É claro que a possibilidade de dispor de um ateliê de trabalho gratuito em pleno centro de Paris atrai muitos interessados. É muito difícil conseguir um lugar no número 59 da Rue de Rivoli. “É impossível encontrar um espaço livre. Chegamos a ter listas de espera que duravam mais de seis meses, mas agora, em razão das obras, não fazemos mais listas”, diz o escultor russo Bazilio, que mora no local há quase quatro anos.

Os que não conseguem um espaço para trabalhar na Rue de Rivoli podem ao menos solicitar que suas obras sejam exibidas na sala do primeiro andar durante cerca de dez dias.

Ainda não há uma data fixada para o início das obras de renovação do squat da rue de Rivoli.

A prefeitura de Paris havia solicitado que não houvesse mais visitas públicas no local por causa da falta de seguraça.

Até o momento, talvez confiantes em relação ao apoio do prefeito Bertrand Delanöe, o squat, que se tornou um local famoso em Paris, continua aberto para visitação das 13h30 às 19h30, de segunda-feira a sábado.

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