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Gil faz show na ONU e quer mostrar Brasil 'sem maquiagem'
A convite da ONU, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que está nos Estados Unidos para promover a cultura brasileira, faz nesta sexta-feira à noite um show em homenagem às vítimas do ataque à sede da instituição em Bagdá. Ganhador do prêmio Grammy Latino "Personalidade do Ano 2003", Gil disse à BBC Brasil que, no momento, sua prioridade é o Ministério da Cultura e a promoção da cultura brasileira no Brasil e no exterior. "Queremos promover a cultura brasileira no Brasil e no mundo, sem nenhuma maquiagem, com tudo aquilo que ela tem de belo e de trágico." Para ele, ao revelarem a violência brasileira para o grande público internacional, filmes como Cidade de Deus enriquecem a percepção do Brasil no exterior, indo além do estereótipo do samba e do futebol. "Eu não vejo nenhum interesse em maquiar a imagem brasileira", afirmou. Carandiru "Eu acho que isso (filmes como Carandiru) já é uma maneira rica, muito matizada: a violência, a fome, a injustiça social, a má distribuição de renda, que são coisas reais no Brasil precisam ser vistas pelo mundo", afirmou. "É preciso que o mundo saiba o que é o Brasil até para se colocar de forma mais contributiva, como comunidade internacional interessada nos problemas brasileiros." Indagado se o pragmatismo foi o principal critério para a escolha do filme Carandiru, coordenada pelo Ministério da Cultura, para concorrer a uma indicação ao Oscar 2004, ele disse que "eram pelo menos dez filmes, e todos eles poderiam ser escolhidos por uns ou outros critérios". "Esse aí foi escolhido porque atende a vários critérios, inclusive o pragmático de ser um filme competitivo. Ao mesmo tempo é um belo filme, um filme com densidade, com a qualidade dos melhores filmes brasileiros." Repertório Sobre o show na ONU, Gil disse que "a intenção é não só encerrar o luto, as homenagens póstumas ao Sérgio (Vieira de Mello) e às outras vítimas do atentado de Bagdá, como também voltar à vida. A vida continua." Ao lado de um percussionista e um guitarrista, o ministro e músico se apresenta na sede da Assembléia Geral da ONU, o mesmo aposento em que o Conselho de Segurança da instituição vota as resoluções que governam a diplomacia global. Previsto para durar uma hora, o show será aberto com Filhos de Gandhi e Aquele Abraço, de autoria do próprio Gil, incluindo entre outras músicas, sua versão para a antológica Woman No Cry, de Bob Marley. "O repertório vai estar ligado ao tema da paz e da necessidade de mais compreensão entre os povos", afirmou. Político e gerente Quanto às diferenças entre a fase anterior de sua carreira política na Bahia e o atual cargo de ministro da Cultura, Gil disse que "antes eu lidava mais com política, e hoje sou mais um gerente, um implementador de políticas, num sentido mais amplo". "Prometi ao presidente Lula que, durante o meu mandato, minha carreira artística ocuparia a parte residual do meu tempo e que o ministério tomaria o tempo principal." Gilberto Gil permanece em Nova York até o próximo dia 25, acompanhando a delegação brasileira, chefiada por Lula, que participa da Assembléia Geral da ONU. A seguir, ele embarca para Washington, para reuniões com técnicos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O motivo da visita é o acerto de convênios entre o Ministério da Cultura e as duas instituições. "Estamos indo numa viagem de proposição", disse. "Com o BID, queremos a ampliação de um convênio que já existe para a área de preservação do patrimônio histórico." "E com o Banco Mundial nós estamos numa primeira fase de discussões. Vamos conceituar o que poderá vir a ser uma cooperação, o Prodecult, um projeto de desenvolvimento cultural. É do interesse do Banco Mundial entrar decisivamente na área cultural, uma área em que ele ainda não opera." |
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