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Reator tentará recriar fusão nuclear do Sol | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um consórcio internacional assinou um acordo para construir um reator experimental de fusão nuclear em Cadarache, no sul da França. O Reator Termonuclear Experimental Internacional deverá ficar pronto em dez anos e custará cerca de dez bilhões de euros (cerca de 28 bilhões de reais) para o consórcio, formado por Estados Unidos, União Européia, Coréia do Sul, Rússia, China, Japão e Índia. Metade dessa quantia será paga pelo bloco europeu. O projeto, chamado de Iter ("o caminho", em latim), vai tentar demonstrar a viabilidade comercial da tecnologia de fusão nuclear como forma de produção de energia elétrica. A fusão nuclear produz energia usando reações nucleares semelhantes às do Sol. Fonte principal Os defensores dessa forma de energia dizem que, no futuro, ela pode ser barata e ecológica. Segundo as autoridades envolvidas no projeto, a eletricidade de fusão nuclear poderia estar disponível em 30 anos. "A fusão poderá se tornar a fonte dominante de energia em cerca de um século. Nós precisamos trabalhar para tentar conseguir (produzir) essa energia", disse Jerome Pamela, do Iter. "Não fazer isso seria irresponsável porque o resultado pode ser enorme para a humanidade", disse ele, adicionando que a idéia de imitar o processo do Sol na Terra é um "desafio muito, muito grande". Em uma reação de fusão nuclear, a energia é produzida quando átomos leves são fundidos, formando átomos mais pesados.
Para usar as reações de fusão como fonte de energia, é preciso esquentar gás a temperaturas mais altas do que 100 milhões de graus Celsius – bem mais quente do que o centro do Sol. Nestas temperaturas, o gás vira plasma. Sob essas condições, as partículas de plasma, produzidas a partir de deutério e trício, se fundem formando hélio e neutrônios de alta velocidade, liberando quantidades extraordinárias de energia. Um dos principais atrativos da fusão é a pequena quantidade de combustível necessária para o processo. Acredita-se que a liberação de energia de uma reação de fusão seja dez milhões de vezes maior do que de uma reação química típica, como a queima de combustíveis fósseis. Críticas A assinatura do acordo para a construção do reator aconteceu em uma cerimônia apresentada pelo presidente francês, Jacques Chirac, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso no Palácio do Eliseu, em Paris. Mas algumas organizações ambientais são contra o projeto. Os críticos dizem que os benefícios da fusão nuclear foram exagerados e que os problemas apresentados pela produção de resíduos foram subestimados. "Nós enfrentaremos uma crise de energia muito real nos próximos 50 anos que tem a ver com a mudança climática e precisamos parar de usar carvão, petróleo e gás", disse Roger Higman, coordenador de políticas da ONG Friends of the Earth. "A questão que devemos perguntar é: não seria melhor usar o dinheiro que está sendo gasto em fusão nas tecnologias que já foram comprovadas, ao invés de correr atrás de um sonho que mesmo os defensores dizem que levará cem anos antes de resolver nossos problemas de energia?" |
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