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iPod completa cinco anos e caminha para evolução

iPod
A Apple vendeu 68 milhões de iPods em cinco anos
O iPod, o principal tocador de arquivos digitais multimídia do mercado, está fazendo cinco anos e caminha para um futuro de grandes mudanças devido à evolução da tecnologia, de acordo com especialistas.

Quando a Apple lançou o aparelho, no dia 23 de outubro de 2001, ninguém acreditava que ele pudesse fazer sucesso. Cinco anos depois, a popularidade do iPod mostra que as previsões estavam erradas.

Mas como serão os próximos cinco anos do iPod e de outros aparelhos similares?

Segundo Ted Vucurevich, chefe de tecnologia da empresa de informática Cadence, os aparelhos portáteis vão ter sofrido mudanças imensas em 2011.

"Evolução natural"

"Cinco anos no sentido clássico de semicondutores equivale a cerca de 2,5 gerações de processadores", diz Vucurevich. "(Isso significa) a habilidade de colocar num lugar do mesmo tamanho "componentes quatro a seis vezes mais funcionais do que os existentes hoje."

Em outras palavras, isso se traduz em centenas de gigabites de armazenamento, telas maiores e melhores e uma bateria com vida útil muito mais longa.

Esta "evolução natural", como Vucurevich a descreve, pode ter a inclusão de telas dobráveis, que permitiriam que um vídeo armazenado no aparelho portátil possa ser visto em uma tela de tamanho decente.

Aparelhos portáteis também poderiam incorporar sensores para acompanhar sinais básicos de saúde e repassá-los a um médico em um check-up.

Áudio e vídeo

"Aparelhos vão ser menores no exterior, mas maiores no interior", disse Nate Elliott, analista-chefe da Jupiter Research, uma empresa de pesquisa do setor.

Segundo ele, as mudanças não páram por aí. Em 2011, os aparelhos de mídia portáteis vão incluir uma gama de tecnologias de comunicação sem fio para compartilharmos o que armazenamos nos iPods.

Elliott ressalta que ainda não se sabe qual tecnologia será esta, porque as opções disponíveis no momento estão longe de ser ideiais.

A tecnologia Bluetooth é muito lenta para arquivos de mídia, e os sistemas wi-fi estão pouco difundidos para virar uma alternativa viável, diz Elliott.

Ele diz que uma pesquisa indicou que o tipo de conteúdo mais carregado em aparelhos portáteis nos próximos anos será música.

"Os consumidores estão duas vezes mais interessados em áudio do que em vídeo e duas vezes mais interessados em vídeo do que em jogos", disse Elliott.

Commodities

Porém, talvez a maior mudança que se aproxima para a Apple e o iPod nos próximos anos não tenha nenhuma relação com hardware.

Rick Levine, um diretor da empresa de consultoria hi-tech Accenture, disse que o que a Apple acertou nos primeiros anos do iPod pode ser um castigo no futuro.

"No começo de qualquer tecnologia existe uma curva onde você tem a fase pioneira na qual você precisa fazer algumas coisas excepcionais para ganhar aceitação e receber retornos excepcionais", disse ele.

Levine diz que a Apple está passando por esta fase no mercado de aparelhos portáteis. Foram lançados aparelhos de MP3 antes e depois do lançamento do iPod em 2001 e nenhum conseguiu dominar o mercado como ele.

A Apple protegeu esta vantagem com um sistema que obriga as pessoas a permanecer neste ecossistema, afirmou Levine.

Porém, ele alertou que a história mostra que a crescente popularidade transforma certos produtos em commodities. No caso dos aparelhos portáteis isto significa que os preços vão cair e será cada vez mais fácil acessar material de multimídia.

Os aparelhos e seu conteúdo vão ficar mais acessíveis para mais pessoas.

Levine diz que isto também significa o fim do sistema de proteção da Apple, porque no momento em que o acesso a música e filmes se tornar onipresente, passa a ser uma desvantagem limitar as pessoas a uma única forma de chegar a este conteúdo.

Ele acredita que em breve, talvez nos próximos cinco anos, a Apple poderá licenciar as interfaces para o iTunes e o iPod para garantir que eles atinjam o maior número de pessoas possível neste grupo crescente de usuários.

Porém, Levine alertou que não existem garantias de que a Apple vá prestar atenção nas aulas de história e de trabalho com esta medida rumo ao mercado de commodities.

Se a Apple esperar faturamentos muito altos com as vendas de iPod e tentar trabalhar contra estas forças, a boa vontade conquistada entre os usuários pode se evaporar.

Uma pesquisa sugere que apenas 5% das músicas de aparelhos portáteis vêm de lojas online, indicando que as pessoas gostam mais de seus aparelhos do que da empresa que os fez.

"As coisas que fazem de você um pioneiro anestesiam seus sentidos para perceber que a competição está subindo em seus calcanhares", afirma Levine.

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