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Atualizado às: 30 de setembro, 2004 - 21h53 GMT (18h53 Brasília)
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Decisão russa de aprovar Kyoto é elogiada
George W. Bush (esquerda) e Putin
Com a desistência de Bush, protocolo necessitava do apoio russo
A decisão do governo russo de aprovar nesta quinta-feira o Protocolo de Kyoto sobre mudanças climáticas foi elogiada por líderes políticos e organizações ambientais de todo o mundo.

A comissária da União Européia para o meio-ambiente Margot Wallstrom disse à BBC:

"Estamos muito felizes hoje, ainda temos que esperar a ratificação da Duma (o Parlamento russo), mas o prognóstico é promissor“.

A secretária para o meio-ambiente britânica, Margarth Beckett elogiou a decisão russa como “um passo fundamental nos esforços globais para conter as mudanças climáticas“.

O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, também teceu elogios aos russos e acrescentou que “a prevenção do aquecimento global é um assunto muito importante e complexo“.

Bryony Worthington, da ONG ambiental Friends of the Earth, disse que a decisão russa “aumentará a pressão sobre países como os Estados Unidos e a Austrália, que até agora permanem de fora do único tratado internacional para o combate dos gases responsáveis pelo efeito estufa“.

Entrando em vigor

O Protocolo de Kyoto prevê a redução das emissões de gases do efeito estufa, que muitos cientistas acreditam ser a causa do aquecimento global e de mudanças no clima.

Para que o protocolo entre em vigor, 55% dos países – representando igual porcentagem de emissão de gases poluentes em todo o mundo – devem assinar o documento.

Os Estados Unidos – o maior produtor de gases do mundo, responsável pela emissão de 36% do total – se retirou do pacto, no início da administração de George W. Bush, dizendo que ele custaria muito dinheiro e, equivocadamente, excluía os países em desenvolvimento.

Kyoto tinha alcançado a marca de 44% das emissões e necessitava da inclusão russa, com seus 17% de emissões.

O presidente russo, Vladimir Putin, deixou claro anteriormente seu apoio ao compromisso de Kyoto, mas o principal assessor econômico de Putin, Andrei Illarionov, disse que o tratado vai coibir o crescimento da economia.

A legislação necessária para a ratificação do tratado deverá passar pelo Parlamento russo sem dificuldades e, teoricamente, o tratado pode entrar em vigor dentro de três meses.

Ganhos políticos

Putin colocou fim à confusão sobre a posição russa em maio, quando manifestou desejo de ver o tratado ratificado. Vários ministérios receberam recomendação no começo deste mês de se preparar para a ratificação.

No entanto, alguns economistas influentes do Kremlin colocaram em dúvida o quanto a Rússia pode reduzir suas emissões de gases do efeito estufa num momento em que vive um reflorescimento industrial e estabeleceu uma meta de dobrar seu PIB em uma década.

Nesta semana, destacados cientistas russos aconselharam contra a ratificação e alegaram que não há evidências que vinculem as emissões de gases do efeito estufa a mudanças climáticas.

Mas o fator decisivo parece não ser o custo do tratado para a economia, mas os benefícios políticos que ele pode trazer.

Há rumores de que um apoio mais forte da União Européia à candidatura russa à OMC (Organização Mundial do Comércio) possa ser a resposta à ratificação do tratado pela Rússia.

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