BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 31 de maio, 2004 - 15h28 GMT (12h28 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Encontrados sinais de longo inverno após choque com meteoro
iceberg
Nuvem de partículas pode ter bloqueado o calor do sol
Cientistas encontraram provas de que um longo inverno teria sucedido o impacto de um asteróide sobre a Terra.

O acontecimento, há 65 milhões de anos, teria destruído, entre outras espécies, os dinossauros.

Rochas tunisianas analisadas pelos pesquisadores revelam que criaturas microscópicas típicas de águas frias invadiram uma região marítima quente após a rocha espacial ter atingido a Terra.

O inverno global foi provavelmente causado por uma nuvem poluente de partículas de sulfato liberadas quando o asteróide se chocou com rochas em Chicxulub, no México.

Fósseis

Os resultados do estudo aparecem na edição recente da revista Geology.

Pesquisadores italianos, americanos e holandeses estudaram rochas em El Kef, na Tunísia, que pertencem ao período conhecido como cretáceo-terciário, quando dinossauros e outras espécies desapareceram do planeta.

Na época, El Kef era parte de Tethys, um mar de águas quentes que cobria uma grande porção do leste da Europa e oeste da Ásia.

Ao estudar fósseis encontrados nas rochas tunisianas, os cientistas verificaram a ocorrência de mudanças surpreendentes após o periodo cretáceo-terciário.

Duas novas espécies de foraminíferos bentônicos - animais simples que vivem perto do fundo do mar – apareceram.

Estas criaturas habitam águas frias de oceanos em latitudes mais altas.

Concha

Os cientistas também encontraram fósseis de um tipo de caramujo microscópico chamado Cibicidoides pseudoacutus.

A concha em espiral do animal pode se formar em sentido horário ou anti-horário.

Em águas frias, encontra-se uma maior proporção de espirais formadas da esquerda para a direita. O inverso ocorre em águas quentes.

Os pesquisadores verificaram que após o período cretáceo-terciário houve um aumento na proporção de Cibicidoides cuja concha faz uma espiral da esquerda para a direita.

“É a primeira vez que encontramos provas físicas de um resfriamento após o cretáceo-terciário”, disse Simone Galeotti, da Universidade de Urbino, na Itália.

Galeotti e seus colegas acreditam que a causa da queda na temperatura tenha sido uma nuvem poluente de partículas de sulfato, que bloqueou a luz do sol.

Escuridão

As partículas teriam se formado quando o asteróide colidiu com rochas ricas em sais de sulfato em Chicxulub.

“A escuridão deve ter durado tempo suficiente para esfriar os oceanos, mas não o bastante para congelar o planeta inteiro”, disse Matthew Huber, da Universidade de Indiana, EUA, também envolvido no estudo.

Segundo Huber, o longo e escuro inverno pode ter durado entre um e dez anos em terra firme, mas há evidências de um resfriamento de até 2 mil anos em El Kef.

A extinção de espécies durante o cretáceo-terciário foi seletiva: grupos inteiros, como os dinossauros e os amonóides, foram destruídos, enquanto outros foram poupados.

O novo estudo não desvenda esse mistério, mas ajuda a esclarecer o que aconteceu ao planeta após o impacto com o asteróide em Chicxulub.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade