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Colonização da Lua pelo homem divide cientistas americanos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O potencial da Lua de abrigar "atividade humana significativa e contínua" dividiu os cientistas que participaram recentemente do seminário "Ciência Lunar e Recursos", cujas conclusões foram divulgadas nesta semana pelo governo dos Estados Unidos. O uso da Lua como base de explorações espaciais faz parte da nova política espacial amercana, anunciada pelo presidente George W. Bush em janeiro. Mas nem esse uso, limitado, parece ter o apoio da comunidade científica. Pelo menos a julgar pelas palestras realizadas no seminário organizado pelo Comitê Interno de Ciência dos Estados Unidos. No centro do debate, está a viabilidade da exploração dos depósitos de gelo no satélite para a produção de água e combustível de foguete. Terra e gravidade “A descoberta de depósitos acessíveis de água na Lua afetaria profundamente a viabilidade e o aspecto econômico de uma base na Lua”, disse o astrônomo Donald Campbell.
Mas ele acrescentou que não será fácil ter acesso a esses depósitos de água congelada, já que eles possivelmente estão no fundo de crateras extremamente geladas e sem exposição à luz nos pólos da Lua. A opinião é compartilhada pelo professor John Lewis, da Universidade do Arizona, disse ao governo americano que não pensa que o gelo lunar vai ser fácil de extrair. “Eu vejo essa possibilidade com profundo ceticismo, por causa da imensa dificuldade técnica de explorar uma substância dura como aço e altamente abrasiva em condições de escuridão permanente, no fundo de íngremes crateras de superfície irregular, em temperaturas tão baixas que a maioria dos metais nos equipamentos de extração se tornam quebradiços como gelo.” “Além disso, a localização de depósitos com hidrogênio (quase que com certeza que constituídos majoritariamente por água congelada) nos pólos os tornam distantes de quaisquer locais razoáveis para se estabelecer uma base lunar de qualquer tipo na Lua.” “Os depósitos de gelo lular são de grande interesse científico por causa das histórias que podem contar sobre o impacto de cometar e asteróides com a superfície lunar. A investigação científica desses depósitos não precisa, e talvez não deva, envolver a presença humana”, afirmou. Lewis também disse que o uso da Lua como base para expedições a Marte não faz sentido do ponto de vista logístico. “A Lua não é ‘entre’ a Terra e Marte. É um destino diferente, pouco apto para funcionar como uma base de apoio a uma jornada a Marte.” Um campo de testes? Paul Spudis, do Instituto Lunar e Planetário, é mais otimista. Ele acredita que o gelo polar pode ser explorado para ajudar a manter uma base humana na Lua e também para fabricar combustível de foguetes (ao dividir as moléculas da água, criando hidrogênio e oxigênio líquidos). Spudis também acha que a Lua é um campo de testes, um pequeno planeta próximo da Terra onde nós podemos aprender as técnicas necessárias para explorar o Sistema Solar. Telescópios instalados na superfície lunar teriam muitas vantagens em comparação com os instalados na Terra e os soltos no espaço, na sua opinião. “Mesmo durante o dia lunar, corpos celestes mais brilhantes podem ser vistos, mesmo apesar do brilho solar. O lado oculto da lua está permanentemente protegido da interferência eletromagnética produzida pela nossa civilização”, disse.
O cientista disse que não vê a poeira lunar como um problema. “Alegações recentes de que a poeira lunar representa um problema irresolvível e dificuldades para telescópios são incorretas; a poeira lunar não ‘cobre’ superfícies se não for agitada.” Por outro lado, Daniel Lester, que trabalha no observatório McDonald da Universidade do Texas, não mostrou muita empolgação com o uso da Lua como local para o estabelecimento de telescópios. Segundo ele, telescópios soltos no espaço seriam melhores. “Em comparação com locais de gravidade zero em espaço livre, a Lua, como plataforma de telescópios, oferece principalmente terra e gravidade”, disse. “Enquanto a terra tem sido encarada por alguns como fonte de recursos exploráveis, ela também se traduz em uma série de limitações de desempenho.” Lester argumenta que poeira pode ser levantada da superfície lunar por meteoritos colidindo com a Lua ou outras atividades próxima a um possível telescópio lunar (como o acionamento de um foguete ou mesmo os passos de um astronauta) iria prejudicar as lentes e reduzir a eficiência dos mecanismos dos quais esses telescópios dependem para movimentos precisos. “Encurtando a história, nós devemos nos perguntar se a terra e a gravidade são de grande valor para a astronomia. A resposta, acredito, é não”, disse. O cientista também não se disse impressionado com a alegação de que o lado oculto da Lua pode ser importante do ponto de vista científico, por ser uma área sem interferências de ondas eletromagnéticas produzidas pelo homem e vindas da Terra. Esse hemisfério nunca está em linha direta com a Terra, de forma que a interferência humana, na forma de ondas de rádio, não influenciaria as observações astronômicas. “Ainda que isso tenha o potencial de nos dar algo extra, a necessidade científica de uma área sem interferências dessas ondas nunca foi muito convincente.” |
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