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'Anestesia virtual' distrai pacientes e alivia a dor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os mundos de fantasia criados pela realidade virtual tem se mostrado uma forma original de aliviar o sofrimento de pacientes com dores intratáveis. Hunter Hoffman, pesquisador do Centro Médico Harborview, da Universidade de Washington, em Seattle, testou seus mundos virtuais em vítimas de queimaduras que sofrem dores torturantes quando trocam de roupa e em quem as terapias com remédios convencionais não surtem efeito. Os mundos virtuais de Hoffman, que o pesquisador batizou com nomes como Mundo de Neve ou Mundo da Aranha, foram projetados para envolver o usuário de maneita tão profunda que a experiência virtual passa a servir como distração para a dor. O Mundo de Neve, por exemplo, leva os usuários em uma impressionante jornada virtual por geleiras e cavernas de gelo enquanto tentam se defender dos ataques de ursos polares e pingüins. Distração Mike Robinson, um paciente submetido ao tratamento de realidade virtual, afirma que a terapia o ajudou a superar o extremo desconforto que sentia quando suas roupas eram trocadas.
"Minha dor quando a enfermeira troca minhas bandagens é consistentemente extrema", disse à BBC. "Mas, durante o tempo em que estava na realidade virtual, eu quase não percebia que a enfermeira estava mexendo no meu ferimento." "Quer dizer, de certa forma eu sabia que ela estava mexendo em mim, mas eu não estava pensando nisso porque eu estava envolvido no Mundo de Neve", contou Robinson. A anestesia virtual se baseia no princípio de distração da capacidade de atenção do cérebro. Hoffman acredita que a dor contém um significativo elemento psicológico e, por isso, a distração com a realidade virtual funciona tão bem para controlar a dor. "A dor exige a atenção consciente. Os humanos têm uma quantidade limitada disso, e é difícil fazer duas coisas de uma só vez", disse.
"Nesse caso, tentamos desviar a atenção dos sinais de dor e arrastá-la para o ambiente virtual, diminuindo a capacidade de processar os sinais de dor." De acordo com o conceito predominante de como a dor se manifesta, conhecido como Teoria do Portão, acredita-se que o componente psicológico interaja com o fisiológico. Isso indica que a ordem dos processos mentais se espalha pela medula espinhal e influencia a quantidade de dor com permissão para chegar ao cérebro. Estresse A realidade virtual também é utilizada no tratamento de fobias e da desordem do estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês). Um dos projetos de Hoffman foi o desenvolvimento de um programa de tratamento para os sobreviventes dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center.
Em colaboração com a Universidade Cornell de Nova York, Hoffman construiu um programa de realidade virtual que é uma simulação dos eventos de 11 de Setembro com o objetivo de dessensibilizar o paciente em relação aos eventos daquele dia. "Com a PTSD sofrida pelos sobreviventes dos ataques ao World Trade Center, há um componente de fuga", diz Hoffman. "A terapia de 'exposição' virtual permite que o evento seja acessado passo a passo, começando com a hora de se levantar na manhã do 11 de Setembro e, gradualmente, chegando aos eventos mais perturbadores para a memória. É uma maneira controlada de extrair e processar as memórias." Uma das pacientes superou o sentimento de culpa por ter fugido do local e não ter ajudado outras pessoas, que acabaram morrendo. De acordo com a paciente, a terapia de exposição virtual a ajudou a recuperar uma sensação de calma e de aceitação. |
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