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Bush propõe volta do homem à Lua até 2020
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, apresentou nesta quarta-feira um plano para retomar as missões de astronautas à Lua, possibilitando, no futuro, as primeiras viagens tripuladas ao planeta Marte. A proposta apresentada por Bush, que prevê um investimento de US$ 12 bilhões em cinco anos, recebeu elogios de cientistas da Nasa (a agência espacial americana) e de ex-astronautas. No entanto, muitos americanos e membros da oposição democrata criticaram os planos, argumentando que o dinheiro seria melhor gasto em outras áreas. Pesquisas de opinião indicam que a população americana está praticamente dividida entre os que apóiam as ambições espaciais de Bush e os acham que é difícil justificar o gasto extra. Divisão
"Eu não vejo porque investir todo esse dinheiro nisso, quando temos tantos problemas aqui na Terra para resolver, especialmente com todos os sem-teto e pessoas sem cobertura médica", disse Noelle Parker, uma americana do Estado de Montana que estava visitando Washington. "Nós precisamos gastar bastante dinheiro nisso, antes de mandar pessoas a Marte e gastar bilhões", completou. Outros americanos mostraram mais simpatia pela proposta de Bush. "(Explorar o espaço) significa explorar nossas fronteiras, como Cristóvão Colombo fez", disse Timmy Finn, do Estado de Nova York. "É simplesmente algo que o homem faz, nós queremos saber o que há lá fora, que potencial isso pode ter para a raça humana no final." A visão de Finn é semelhante à que o presidente Bush apresentou em seu discurso, delineando o plano.
"A humanidade é atraída ao céu pela mesma razão que, no passado, foi atraída a terras desconhecidas e ao mar aberto. Nós escolhemos explorar o espaço porque fazer isso melhora nossas vidas e eleva nosso espírito nacional. Por isso, vamos continuar a jornada", disse Bush. Para a Lua e além Segundo a proposta de Bush, a Nasa receberia US$ 1 bilhão a mais nos próximos cinco anos, sendo que parte do dinheiro seria investido na revitalização do programa ônibus espaciais e na substituição deles até 2010. Para tomar o lugar dos ônibus espaciais, o presidente americano propôs a construção de uma nova classe de naves tripuladas, que poderiam ser usadas para levar o homem de volta à Lua até 2020.
Bush também falou sobre o estabelecimento de uma base na Lua. "Podemos usar nosso tempo na Lua para desenvolver e testar novas abordagens, tecnologias e sistemas que vão nos possibilitar trabalhar em outros ambientes, mas desafiadores", disse. "Com a experiência e conhecimento adquiridos na Lua, nós vamos estar em condições de dar os próximos passos na exploração do espaço, missões tripuladas a Marte e a outros mundos." A Casa Branca estima que os planos de levar o homem de volta à Lua vão exigir US$ 12 bilhões nos próximos cinco anos. Além do bilhão que Bush vai pedir ao Congresso americano que aprove no próximo orçamento, US$ 11 bilhões seriam obtidos por meio do remanejamento de verbas da própria Nasa, que tem atualmente um orçamento anual de US$ 15,4 bilhões.
Além disso, o presidente deve pedir um aumento anual de 5% no orçamento da agência nos próximos três anos, seguido por aumentos de 1% em cada ano subseqüente. Orçamento "Eu venho esperando por este dia há 31 anos", disse Eugene A. Cernan, o último astronauta a colocar os pés na Lua, a bordo da Apolo 17 em 1972. Críticos do plano de Bush, porém, disseram que ele é irresponsável em um momento em que o déficit orçamentário americano é de cerca de US$ 374 bilhões. O pré-candidato americano à presidência dos Estados Unidos, Joe Lieberman, disse que os Estados Unidos não deve ir "a milhões de quilômetros de distância em uma nova e cara missão quando (têm) recursos limitados. O professor Robert Park, da Universidade de Maryland, acredita que a melhor forma de explorar o espaço ainda é com o uso de robôs e sondas não tripuladas, que não estão sujeitas às limitações físicas do homem. "A maior aventura dos nossos tempos (...) é explorar (os locais) onde nenhum humano poderia um dia colocar os pés", disse ele à BBC. |
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