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Brasil é o que menos investe em saúde na AL
Os investimentos estão aumentando, mas o governo brasileiro ainda destina menos dinheiro para a área de saúde do que todos os outros países latino-americanos (países que falam francês, português e espanhol). De acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, o Brasil gastou 8,8% do seu orçamento com saúde em 2001. Para se ter uma idéia, a Argentina investiu 21,3% do orçamento em saúde no mesmo ano. No continente americano, o Brasil só ganha em investimentos da Jamaica (4,4%), Belize (5%), Santa Lúcia (8%) e Trinidad e Tobago (6,4%), todos países de língua inglesa, três deles no Caribe. O governo brasileiro também fica atrás da iniciativa privada no setor de investimentos. Em 2001, dos pouco mais de R$ 91 bilhões gastos com saúde, a parcela do governo foi de R$ 37,9 bilhões. Já os gastos da iniciativa privada foram de R$ 53,3 bilhões, representando 58,4% do total. Investimentos Em 2000, os gastos do governo representaram 40,8% do que foi investido no setor de saúde. No ano seguinte, o valor subiu para 41,6%, representando 3,33% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para André Médici, especialista-sênior da área de saúde do Bird, o Banco Intermericano de Desenvolvimento (BID), o fato de a iniciativa privada investir mais na saúde não é importante, o fundamental é saber como o governo investe a sua parte. "Os gastos da iniciativa privada sempre foram maiores do que os gastos públicos. Não é uma novidade. Eu não vejo um grande problema nisso", declara. "O problema é que a parcela de recursos destinada à população de baixa renda ainda é insuficiente. A maior parte dos gastos com o setor de saúde no Brasil é com despesas hospitalares, e esses gastos hospitalares se destinam, em grande medida, à parte da população que já tinha atendimento e continua tendo." Sem atendimento De acordo com Médici, muitas vezes as pessoas com planos de saúde acabam utilizando o sistema público na hora dos tratamentos ou exames mais caros. Para o especialista do BID é preciso que seja criado um mecanismo que faça com que os planos de saúde cubram essas despesas de seus usuários, liberando esse dinheiro para que o governo favoreça os que mais necessitados. "Isso não quer dizer que o rico não deve ter acesso ao sistema público de saúde. Mas, que uma vez ele tendo acesso ao hospital público, ele tendo um plano de saúde, que esse plano pague ao hospital, para que ele recupere o custo do que foi usado." De acordo com estimativas, segundo Médici, 10% da população brasileira ainda não tem acesso ao serviço público de saúde. O problema, segundo ele, atinge moradores de municipalidades mais pobres, por um problema de deficiência na rede de saúde e de falta de pessoal. O especialista acha que o Brasil vem seguindo um caminho positivo, mas é preciso acelerar o processo de melhorias, visando favorecer os mais pobres, o mais rapidamente possível. "É um processo longo de mudança. Mas é necessário vontade política para destinar mais recursos do orçamento da saúde para a população mais pobre", disse Medici. Já Patricia Hernandez, economista da Organização Mundial da Saúde, não existe país com uma fórmula exemplar a ser copiada pelos outros. O sistema brasileiro, segundo a economista, apresenta deficiências, mas vem melhorando de qualidade nos últimos anos, virando um exemplo para outros países da América Latina. "O Brasil tem muitos bons exemplos de como trabalhar, como o SUS, o Sistema Único de Saude, que é um bom modelo para a América Latina. O Brasil também vem tomando medidas importantes como o financiamento total do tratamento de pessoas com o vírus HIV", comenta. Índices Apesar dos pontos positivos, o Brasil apresenta um dos mais baixos índices de investimento público no setor de saúde no continente americano. O governo brasileiro investe menos, por exemplo, do que países como Argentina, Peru, Venezuela e Estados Unidos. "O sistema de saúde brasileiro melhorou muito nos anos 90. Os indicadores básicos também melhoraram. Mas, quando se compara a outros países na mesma situação, você nota que ainda há deficiências", diz Médici. "Não se trata apenas do sistema de saúde. O Brasil é um país muito desigual, uma das maiores desigualdades em termos de renda da América Latina." |
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