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Grã-Bretanha debate legalização da venda de órgãos
Um grupo de médicos está reunido nesta quarta-feira, na sede da Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês), para discutir a legalização da venda de órgãos para transplantes. O debate faz parte de uma conferência sobre ética e ganhou destaque nos principais jornais britânicos por causa dos médicos que defendem que o sistema público de saúde do país (NHS, na sigla em inglês) deveria ter autorização para comprar órgãos de doadores vivos. Os defensores da proposta argumentam que esse sistema, se bem administrado, poderia ajudar a suprir a grande demanda por órgãos na Grã-Bretanha. Mas a BMA já divulgou um comunicado à imprensa em que diz não se opor ao debate da questão, mas que é contra o comércio de órgãos e não vai mudar suas políticas. 'Mercado ético' Até o fim de março, mais de 6 mil pessoas estavam na fila de espera dos transplantes na Grã-Bretanha. Nos 12 meses anteriores, mais de 400 morreram por não ter recebido o órgão de que precisavam. No Brasil, dados do Ministério da Saúde divulgados em novembro mostram que 56,7 mil pessoas estão na fila – quase metade delas à espera de um rim. Na Grã-Bretanha, os doadores vivos são fundamentais para quem precisa de um rim ou de parte da medula óssea. O professor de ética médica John Harris, da Universidade de Manchester, é um dos maiores defensores da legalização da venda de órgãos. Em um polêmico artigo publicado no British Medical Journal, ele afirmou que é possível implantar um "mercado ético" de órgãos no país. "O NHS compraria órgãos e tecidos de pessoas vivas assim como compra remédios ou equipamentos de diálise", escreveu Harris. "O sistema de saúde, então, tornaria disponíveis esses órgãos à medida em que eles fossem requisitados, dando-se prioridade aos casos de mais urgência, sem custo nenhum para o receptor", explicou o especialista. Sem impostos Harris defende ainda que os compradores não pagariam impostos sobre os órgãos, assim como pessoas que recebem benefícios do governo não os perderiam ao vender seus tecidos. "Como não haveria uma relação direta entre os compradores ricos e os vendedores pobres, todo mundo se beneficiaria", concluiu o especialista em ética médica. Mas, apesar do apoio de alguns importantes cirurgiões britânicos, a proposta ainda enfrenta uma grande oposição por parte da comunidade médica britânica, que acredita que ela levaria à exploração de pessoas mais pobres. |
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