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Britânicos descobrem gene causador do câncer de mama
Cientistas britânicos anunciaram a descoberta de um gene que pode ser um dos responsáveis pelos casos espontâneos de câncer de mama e de ovário. Segundo a pesquisa da Universidade de Cambridge, desenvolvida para o instituto Cancer Research UK e publicada na revista científica Cell, o novo gene, batizado de EMSY, altera o funcionamento de outro gene, o BRCA, já conhecido por predispor ao surgimento da doença. Com a alteração, pessoas que normalmente não estariam vulneráveis a essas formas de câncer passam a apresentar uma predisposição. "Esse gene é a peça que faltava no quebra-cabeças", disse Tony Kourazides, chefe do grupo de pesquisadores. "Estamos muito animados com essa descoberta." Novos testes O cientista espera que a notícia leve ao desenvolvimento de novos testes que permitam saber se uma pessoa estará ou não sujeita ao aparecimento de um câncer de mama ou de ovário. "Agora teremos uma imagem muito mais sofisticada das mudanças genéticas que provocam esses dois tipos de câncer em mulheres que não herdaram a predisposção, mas acabam apresentando a doença mesmo assim", explicou Kourizades. Ao herdar o gene BRCA com defeito, uma mulher pode apresentar um alto risco de desenvolver a doença, mas apenas 5% dos casos de câncer de mama surgem apenas por isso. Cientistas do mundo inteiro vêm procurando os genes responsáveis pelos outros 95% dos casos, desde que o BRCA foi descoberto, há oito anos. Há muito tempo, suspeita-se que um gene batizado de BRCA2 atue no aparecimento de alguns casos dessas formas de câncer. Cópias extras A equipe da Universidade de Cambridge descobriu que o EMSY age "ligando e desligando" outros genes, além de reparar estruturas danificadas do DNA. Testes feitos em centenas de amostras de tumores mostraram que 13% dos casos de câncer de mama e 17% dos de ovário continham cópias extras do gene. Mas ele nunca era encontrado em tecidos saudáveis e raramente era visto em outros tipos de tumor. Segundo os cientistas britânicos, o EMSY também tem um papel importante em formas mais agressivas do câncer de mama. Mulheres cujos tumores de mama apresentavam as cópias extras do gene sobreviveram por 6,4 anos, em média. Já aquelas em que o número de EMSY era normal tiveram uma sobrevida média de 14 anos. A diferença era especialmente maior entre mulheres que não apresentavam metástase nos nódulos linfáticos, na fase inicial. Isso sugere que é possível a criação de um teste para o EMSY no início do tratamento do câncer, visando a descobrir o grau de agressividade da doença. |
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