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Análise: Um novo capítulo na exploração do espaço
A viagem de um astronauta chinês marca um novo capítulo na exploração tripulada do espaço, e o capítulo é cheio de incertezas e possibilidades. Com essa missão, a China tomou uma iniciativa ousada e expressou as suas intenções espaciais em um momento em que os esforços espaciais americanos enfrentam graves problemas e o programa espacial russo encontra-se em declínio. Então, apesar de Yang Liwei ser a 43ª pessoa a viajar para o espaço, sua missão olha para um novo futuro. Quando a China sediar as Olimpíadas de 2008, o país poderá ter uma estação espacial em órbita, de onde seus astronautas dariam adeus aos atletas na Terra. Avanços A imagem do país vai mudar depois do feito desta quarta-feira. A cápsula Shenzhou, apesar de baseada no mais do que testado foguete russo Soyuz, é mais avançada. A China aprendeu a partir da experiência espacial de outros países e a tecnologia avançou muito nos últimos 40 anos. Isso significa que a Shenzhou é muito mais capaz do que as primeiras cápsulas que levaram os americanos e russos ao espaço: a Mercury e a Vostok. O primeiro homem no espaço, o russo Yuri Gagarin, ficou uma hora e 48 minutos. O primeiro americano no espaço, Alan Shepard, permaneceu apenas 15 minutos. Já Yang Liwei ficará 22 horas. Apesar do Soyuz ser um veículo espacial altamente capacitado, sua energia é quase incapaz de mantê-lo operando a partir e para a Estação Espacial Internacional (EEI). Nas atuais condições, a Rússia não tem condições, nem terá em muito tempo, de construir uma estação espacial como a Mir - que precisou ser destruída. Shenzhou não é certamente um ônibus espacial americano, mas este também tem os seus problemas. A ampliação da frota de ônibus espaciais está interrompida, possivelmente até o fim do ano que vem, e a Nasa, a agência espacial americana, está tentando reunir esforços para construir sucessores para esses ônibus. Uma das espaçonaves que devem ser construídas pela Nasa será provavelmente menor e menos sofisticada do que os ônibus espaciais, para ser usada como meio de transporte para a EEI. A Shenzhou poderá ser favoravelmente comparada a essas naves. Com o tempo, o feito da China parecerá cada vez melhor. Os planos da China de enviar módulos ao espaço e manter plataformas espaciais também atrairão a atenção dos programas russos e americanos - especialmente os russos. Yang Liwei viajou sozinho na primeira missão solo desde a Soyuz 4, em 1969. Mas sabemos que a Shenzhou pode levar três passageiros. No futuro, não é exagero assumir que a China poderá enviar astronautas convidados ao espaço como os soviéticos fizeram no passado, ou até clientes que paguem como a Rússia fez recentemente. Apostas Já foi dito que os Estados Unidos nunca deixarão a Shenzhou se acoplar à EEI. Há dificuldades de órbita que impedem a junção no momento, mas essas dificuldades podem ser resolvidas e a nave chinesa têm um sistema compatível para ser acoplada à estação. Além disso, depois do que aconteceu com o ônibus espacial americano Columbia, talvez seja a hora de os três países com tecnologia espacial se juntarem para desenvolver uma política espacial que permita ajuda mútua em casos emergenciais. Alguns já apostam que a China lançará uma missão tripulada à Lua. Isso ainda é uma realidade distante, por pelo menos até a década que vem. Mas, depois de dez anos de experiência, quem sabe? Yang Liwei entra para os livros de história e o futuro espacial ganha novas possibilidades. |
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