Discurso de Bolsonaro na ONU na mídia internacional: 'Em campanha pelo emprego que pode perder'

Jair Bolsonaro discursando na abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Jair Bolsonaro discursou na abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça
Tempo de leitura: 4 min

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (20/09) foi notícia na imprensa internacional.

Entre os veículos que repercutiram o pronunciamento, muitos enxergaram um tom eleitoreiro da fala do mandatário brasileiro a menos de duas semanas para o pleito no qual ele concorre à reeleição.

"No palco mundial, o presidente brasileiro faz campanha pelo emprego que ele pode perder", destacou o jornal americano The New York Times.

O veículo afirmou que o Bolsonaro gastou boa parte do tempo de seu discurso "resumindo suas conquistas antes das eleições" marcadas para 2 de outubro.

"O discurso pareceu uma apresentação relativamente plácida para os eleitores, o que provavelmente aliviou os líderes mundiais e diplomatas presentes", diz a nota.

Segundo o jornal americano, há um temor entre a comunidade internacional de que Bolsonaro possa não aceitar o resultado das eleições.

"Seguindo a cartilha do ex-presidente Donald J. Trump, Bolsonaro vem questionando a confiabilidade do sistema eleitoral do Brasil há meses, apesar de poucas evidências de que eles sejam vulneráveis", diz ainda o The New York Times, que cita também a reunião convocada pelo presidente em julho com embaixadores de diversos países, na qual Bolsonaro criticou sistema de votação eletrônica brasileiro.

Matéria no New York Times

Crédito, Reprodução / New York Times

Legenda da foto, O jornal New York Times destacou discurso de Bolsonaro

O Clarín, da Argentina, qualificou o discurso como uma tentativa de Bolsonaro de transformar as Nações Unidas em palanque eleitoral.

"Jair Bolsonaro fez campanha na ONU e atacou Lula: 'Banimos a corrupção da esquerda'", diz o título da matéria publicada pelo portal do jornal.

O veículo afirmou que o discurso de 15 minutos teve "fortes conotações de um evento de campanha" e dirigiu uma mensagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o mandatário brasileiro afirmou que seu governo "baniu a corrupção da esquerda".

"Em mensagem claramente para consumo interno no Brasil, Bolsonaro aproveitou a janela global da Assembleia para fazer campanha como já havia feito em Londres, durante o funeral da rainha Elizabeth 2ª", diz ainda a reportagem.

Reportagem do jornal Clarín, da Argentina

Crédito, Reprodução / Clarín

Legenda da foto, Reportagem do jornal Clarín, da Argentina

Enquanto isso, o jornal italiano La Stampa afirmou que o presidente concentrou a maior parte de seu discurso "nas iniciativas eleitorais de seu governo"

"Primeiramente, Bolsonaro (que está entre os principais negacionistas da covid) ostentou os resultados sobre a pandemia, afirmando que 80% da população está vacinada. Em seguida, enumerou os esforços para modernizar a economia brasileira: 'A economia está de volta', diz, lembrando que seu país é o sétimo mais digitalizado do mundo, e depois falando sobre inovações em infraestrutura", diz o meio de comunicação.

Outros veículos que também repercutiram o pronunciamento deram mais ênfase às declarações sobre a guerra na Ucrânia feitas por Bolsonaro.

A agência de notícias Reuters afirmou que o presidente "pediu 'cessar-fogo imediato' na Ucrânia".

O veículo chamou a atenção ainda para as críticas feitas pelo mandatário às sanções aplicadas contra a Rússia.

"Bolsonaro disse que o Brasil não vê as sanções unilaterais como a melhor maneira de lidar com o conflito, acrescentando que uma solução só seria alcançada por meio de diálogo e negociações", diz a reportagem.

Reportagem da agência Reuters

Crédito, Reprodução/Reuters

Já a agência Associated Press destacou que Bolsonaro "reiterou sua disposição de promover negociações para resolver o conflito entre Rússia e Ucrânia, pedindo um cessar-fogo, mas renunciando a sanções e isolamento econômico".

A AP também salientou o tom do discurso às vésperas da eleição.

"O líder de extrema-direita, que busca a reeleição no próximo mês, também usou seu discurso para promover os méritos de seu governo. Seu discurso focou fortemente na economia, a começar pelo generoso programa de assistência social distribuído a milhões de brasileiros durante a pandemia, e que foi recentemente renovado até dezembro", diz a reportagem.

Reportagem da AP

Crédito, Reprodução / AP

A emissora americana CNN também dedicou algum espaço ao pronunciamento e às declarações do presidente brasileiro sobre a necessidade de um cessar-fogo na Ucrânia.

"Bolsonaro disse que o Brasil não vê as sanções contra a Rússia como uma maneira viável de acabar com o conflito de sete meses, que começou após a invasão russa da Ucrânia", diz o texto publicado no site do canal de televisão.

Matéria na CNN

Crédito, Reprodução / CNN

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