FMI: Brasil terá crescimento quase zero em 2022

Loja anuncia fechamento no Rio de Janeiro em dezembro de 2021

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, FMI também reduz sua expectativa para crescimento do país em 2023: agora, prevê que o Brasil crescerá 1,6% no próximo ano, contra 2% da estimativa anterior
    • Author, Mariana Sanches - @mariana_sanches
    • Role, Da BBC News Brasil em Washington
  • Tempo de leitura: 4 min

O Fundo Monetário Internacional (FMI) derrubou suas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022 de 1,5% (em outubro passado) para 0,3%. A revisão consta do relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado nesta terça-feira (25/1) em Washington D.C.

No documento, o órgão também reduz sua expectativa para o país em 2023: agora, prevê que o Brasil crescerá 1,6% no próximo ano, contra 2% da estimativa anterior.

Dentre 15 grandes economias que tiveram as métricas revistas (entre as quais, China, EUA, México, África do Sul e Índia), o Brasil sofreu proporcionalmente o pior tombo e foi o único a ficar abaixo da taxa de 1% de crescimento em 2022.

Na média, embora a expectativa de crescimento para a América Latina também tenha recuado (menos 0,6 ponto percentual), a região deve crescer 2,4% em 2022, índice oito vezes maior do que o do Brasil. Se comparada à projeção feita pelo fundo para os mercados emergentes, a desvantagem do país é ainda mais significativa: países em desenvolvimento devem crescer 4,8% ante a 0,3% do Brasil.

"A expectativa (de crescimento) se enfraqueceu no Brasil, onde a luta contra a inflação levou a uma resposta forte de política monetária, que pesará na demanda do mercado interno. Dinâmica semelhante ocorre no México, embora em menor escala", afirmou o FMI em seu relatório.

O fundo faz alusão ao aumento da pressão inflacionária: segundo o IBGE, a alta de preços média no Brasil fechou o ano de 2021 em 10,06%. Essa é a maior taxa acumulada desde 2015, bem acima da meta de 3,75% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Em resposta, o Banco Central acionou ferramentas da chamada "política monetária": em dezembro, aumentou a taxa básica de juros, a Selic, para 9,25% ao ano. Com isso, o mercado consumidor brasileiro deve desacelerar, o que esfria a alta de preços mas também a atividade econômica nacional.

Reduções em série no Brasil

Porquinho com calculadora e moedas

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Previsões para 2022 seguem sinalizando desempenho fraco da economia brasileira

Em outubro, o FMI já havia sinalizado para uma redução na expectativa de crescimento do Brasil. À época, a taxa saiu de 1,9% para 1,5%. A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, disse na ocasião que a revisão vislumbrava os "efeitos esperados com o aumento dos juros na política monetária, diante da inflação alta no Brasil".

Em resposta, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou duramente a revisão do FMI. "Eles vão errar de novo. Vamos crescer o dobro do que eles estão dizendo", afirmou Guedes em outubro, durante visita à capital americana Washington. Pelos cálculos de Guedes, o Brasil cresceria ao menos 2% em 2022.

Segundo o ministro, o FMI perdeu credibilidade depois de estimar que o PIB do Brasil despencaria mais de 9% em 2020. O recuo, na verdade, ficou em 4,1%, graças às medidas de transferência de renda na pandemia e de preservação de emprego.

Em dezembro, após assinar a dispensa da missão do FMI do Brasil, Guedes afirmou que "já há muitos anos (os técnicos do FMI) não precisavam estar aqui. Ficaram porque gostam de feijoada, futebol, conversa boa, e de vez em quando criticar um pouco e fazer previsão errada".

No fim do ano, Guedes e a equipe econômica lidaram com forte pressão externa devido à decisão da gestão Bolsonaro de rever a regra do teto de gastos para acomodar despesas com o novo programa social do governo e com o pagamento de emendas parlamentares. A manobra fiscal, que exigiu alteração das regras de pagamento dos precatórios para gerar caixa, foi mal recebida pelo mercado internacional.

O mundo crescerá menos em 2022

Em termos globais, o novo relatório do FMI prevê que a economia mundial crescerá 4,4% - 0,5 ponto percentual a menos do que a previsão de outubro.

A redução foi puxada por quedas na expectativa de crescimento das duas maiores forças econômicas do mundo - EUA e China. No caso americano, a redução do escopo do pacote de investimento em infraestrutura proposto pelo presidente americano, Joe Biden, e a falta de insumos para indústria e de mão de obra explicam a redução de 1,2 ponto percentual no ritmo de crescimento (agora em 4%).

Já na China, problemas no mercado imobiliário e a retomada mais lenta do que o esperado no consumo doméstico são a explicação para o recuo de 0,8 ponto percentual na projeção de crescimento para 2022, em 4,8%.

Gopinath afirmou que "a recuperação global enfrenta vários desafios à medida que a pandemia entra em seu terceiro ano. A rápida disseminação da variante Ômicron levou a novas restrições de mobilidade em muitos países e aumentou a escassez de mão de obra. As interrupções no fornecimento ainda pesam sobre a atividade econômica e estão contribuindo para o aumento da inflação de alimentos e energia".

Segundo ela, as altas dívidas públicas dos países e também a inflação, alta no mundo todo, reduzem a capacidade de resposta das nações para amortecer esses choques na economia.

Gopinath, no entanto, ressalta que apesar do enorme número de casos causados pela Ômicron, a aparente menor severidade da doença e o fato de que alguns países já estão na descendente da onda de infecções levam o FMI a acreditar que seus impactos negativos devem ser superados já no segundo trimestre de 2022.

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