Dono de estação de esqui é detido após incêndio que deixou 40 mortos na Suíça na véspera de Ano Novo

Uma mulher em Zurique segura flores durante dia de luto nacional na Suíça, em 9 de janeiro de 2026

Crédito, EPA/Shutterstock

Legenda da foto, Na Suíça, foi decretado um dia nacional de luto pelas vítimas do incêndio
Tempo de leitura: 4 min

Um dos proprietários do bar suíço onde 40 pessoas morreram em um incêndio na véspera de Ano Novo foi detido, segundo relatos da imprensa local.

Fontes disseram à imprensa suíça que Jacques Moretti, um cidadão francês, apresentava risco de fuga.

O incêndio no bar Le Constellation, em Crans-Montana, deixou 116 pessoas feridas. Muitas das vítimas tinham menos de 20 anos.

Foi revelado esta semana que o bar na estação de esqui não passava por inspeções de segurança há cinco anos.

Jacques Moretti e sua esposa francesa, Jessica, que são donos do bar juntos, estão sendo investigados criminalmente pela promotoria suíça.

Ambos são suspeitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso culposo, informou a promotoria de Valais, no sul da Suíça.

Os promotores disseram acreditar que o incêndio começou quando pessoas que comemoravam o Ano Novo ergueram garrafas de champanhe com velas de faísca, incendiando a espuma isolante acústica no teto do bar no subsolo.

Mapa mostra localização de bar

Nesta sexta-feira (9/1), a Suíça realizou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do incêndio, em um dia nacional de luto.

Em seguida, os sinos das igrejas tocaram por cinco minutos em todo o país.

Trens e bondes pararam e o aeroporto de Zurique suspendeu brevemente suas operações.

Em Crans-Montana, os bombeiros locais foram aplaudidos de pé.

Falta de inspeção

A principal hipótese investigada é que o incêndio tenha começado quando velas de faísca — conhecidas no Brasil como velas vulcão — colocadas em garrafas de champanhe entraram em contato com o teto do estabelecimento.

A informação foi confirmada pela procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, durante uma entrevista coletiva.

Imagens do interior do bar, o Le Constellation, mostram que o teto era revestido por painéis de espuma usados para isolamento acústico. Segundo as autoridades locais, esses materiais nunca foram avaliados quanto à resistência ao fogo.

Imagem mostra velas de faísca acesas presas a garrafas no interior do bar Le Constellation, além do que parece ser fogo no teto, coberto de espuma

Crédito, Imagem cedida

Legenda da foto, Investigadores acreditam que velas de faísca deram início ao fogo
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Técnicos do município disseram que, no passado, apenas os níveis de ruído do local haviam sido verificados, quando os proprietários solicitaram autorização para estender o horário de funcionamento.

O prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, reconheceu que o bar não foi submetido a inspeções, auditorias ou vistorias de segurança por um período de cinco anos, apesar de a prefeitura realizar, em regra, revisões anuais em bares, restaurantes e hotéis da região para identificar riscos de incêndio, como cozinhas mal adaptadas ou equipamentos de combate a fogo sem manutenção.

"Nós lamentamos isso. Devemos isso às famílias e vamos assumir a responsabilidade", disse Feraud a jornalistas.

Ele afirmou que a prefeitura quis ser "imediatamente transparente" assim que percebeu a falha, mas descartou renunciar ao cargo.

Segundo o prefeito, a equipe municipal responsável pelas inspeções é composta por apenas cinco pessoas, encarregadas de fiscalizar mais de 10 mil edifícios na região.

Ele disse que a legislação local não exige a verificação de materiais de isolamento acústico instalados em tetos e que caberá agora às autoridades decidir se essa exigência deve ser incorporada às normas.

Feraud também anunciou a proibição imediata de todos os tipos de velas de faísca em estabelecimentos da cidade, classificando a medida como "óbvia".

As autoridades acreditam que as faíscas chegaram muito perto do teto revestido de espuma, o que teria facilitado a rápida propagação das chamas.