Dono de estação de esqui é detido após incêndio que deixou 40 mortos na Suíça na véspera de Ano Novo

Crédito, EPA/Shutterstock
Um dos proprietários do bar suíço onde 40 pessoas morreram em um incêndio na véspera de Ano Novo foi detido, segundo relatos da imprensa local.
Fontes disseram à imprensa suíça que Jacques Moretti, um cidadão francês, apresentava risco de fuga.
O incêndio no bar Le Constellation, em Crans-Montana, deixou 116 pessoas feridas. Muitas das vítimas tinham menos de 20 anos.
Foi revelado esta semana que o bar na estação de esqui não passava por inspeções de segurança há cinco anos.
Jacques Moretti e sua esposa francesa, Jessica, que são donos do bar juntos, estão sendo investigados criminalmente pela promotoria suíça.
Ambos são suspeitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso culposo, informou a promotoria de Valais, no sul da Suíça.
Os promotores disseram acreditar que o incêndio começou quando pessoas que comemoravam o Ano Novo ergueram garrafas de champanhe com velas de faísca, incendiando a espuma isolante acústica no teto do bar no subsolo.

Nesta sexta-feira (9/1), a Suíça realizou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do incêndio, em um dia nacional de luto.
Em seguida, os sinos das igrejas tocaram por cinco minutos em todo o país.
Trens e bondes pararam e o aeroporto de Zurique suspendeu brevemente suas operações.
Em Crans-Montana, os bombeiros locais foram aplaudidos de pé.
Falta de inspeção
A principal hipótese investigada é que o incêndio tenha começado quando velas de faísca — conhecidas no Brasil como velas vulcão — colocadas em garrafas de champanhe entraram em contato com o teto do estabelecimento.
A informação foi confirmada pela procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, durante uma entrevista coletiva.
Imagens do interior do bar, o Le Constellation, mostram que o teto era revestido por painéis de espuma usados para isolamento acústico. Segundo as autoridades locais, esses materiais nunca foram avaliados quanto à resistência ao fogo.

Crédito, Imagem cedida
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Técnicos do município disseram que, no passado, apenas os níveis de ruído do local haviam sido verificados, quando os proprietários solicitaram autorização para estender o horário de funcionamento.
O prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, reconheceu que o bar não foi submetido a inspeções, auditorias ou vistorias de segurança por um período de cinco anos, apesar de a prefeitura realizar, em regra, revisões anuais em bares, restaurantes e hotéis da região para identificar riscos de incêndio, como cozinhas mal adaptadas ou equipamentos de combate a fogo sem manutenção.
"Nós lamentamos isso. Devemos isso às famílias e vamos assumir a responsabilidade", disse Feraud a jornalistas.
Ele afirmou que a prefeitura quis ser "imediatamente transparente" assim que percebeu a falha, mas descartou renunciar ao cargo.
Segundo o prefeito, a equipe municipal responsável pelas inspeções é composta por apenas cinco pessoas, encarregadas de fiscalizar mais de 10 mil edifícios na região.
Ele disse que a legislação local não exige a verificação de materiais de isolamento acústico instalados em tetos e que caberá agora às autoridades decidir se essa exigência deve ser incorporada às normas.
Feraud também anunciou a proibição imediata de todos os tipos de velas de faísca em estabelecimentos da cidade, classificando a medida como "óbvia".
As autoridades acreditam que as faíscas chegaram muito perto do teto revestido de espuma, o que teria facilitado a rápida propagação das chamas.















