China corteja Brasil após tarifaço de Trump, diz New York Times

Lula e Xi Jinping

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Lula faz visita à China esta semana
Tempo de leitura: 3 min

Uma reportagem do jornal americano The New York Times desta segunda-feira (12/5) afirma que a China está cortejando o Brasil e a América Latina, diante do momento de tensões vividas nas relações da região com os Estados Unidos.

Em um texto intitulado "China corteja Lula e América Latina após choque de tarifas de Trump", assinado pelo correspondente do jornal na China, o jornal afirma que o presidente americano, Donald Trump, vem tentando atrair a América Latina para a sua esfera de influência, algo que lembra a Doutrina Monroe (a política externa dos EUA no século 19 que alertava a Europa para não interferir politicamente na América Latina).

"Muitos governos latino-americanos também querem manter Pequim ao seu lado — principalmente como um parceiro econômico, mas para alguns também como um contrapeso ao poder dos EUA, disseram especialistas", segundo o jornal americano.

O New York Times destacou uma fala do vice-ministro das Relações Exteriores da China, Miao Deyu: "O que as pessoas da América Latina e do Caribe querem é independência e auto-determinação, e não a chamada 'nova Doutrina Monroe'".

Neste ano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo Trump quer priorizar as Américas — e a primeira viagem ao exterior de Rubio foi para Panamá e Guatemala.

No entanto, países latino-americanos têm reclamado das declarações de Trump sobre o Canal do Panamá, e também do aumento de tarifas americanas contra produtos da região.

"Nas últimas duas décadas, a China tornou-se uma grande compradora de minerais e outros recursos do Brasil, Peru, Chile e outros clientes latino-americanos. Produtos chineses, incluindo automóveis e eletrodomésticos, preencheram os mercados da região, e investimentos chineses financiaram pontes, barragens e portos", afirma o texto do New York Times.

"O Brasil e outros grandes exportadores de commodities esperam, em parte, repetir o que aconteceu no primeiro mandato de Trump, quando a China comprou mais soja, minério de ferro e outros produtos da América Latina, apesar das tarifas americanas."

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Um dos especialistas entrevistados pelo jornal ressalta que apesar da simpatia de Lula pela China, o governo brasileiro Lula aumentou as tarifas sobre ferro, aço e cabos de fibra óptica para produtos chineses. E que existe a preocupação de que exportadores chineses redirecionem para a América Latina os seus produtos, devido às altas tarifas nos EUA.

"Xi Jinping demonstrou otimismo de que conseguirá manter Lula e muitos outros grandes líderes latino-americanos ao seu lado, em parte por pura persistência e em parte por meio de encomendas contínuas de minério de ferro, soja e outras commodities", diz o jornal.

"Lula também expressou esperança de que a China possa ajudar o Brasil a obter avanços em novas tecnologias, incluindo a espacial e a energia verde."

Lula chegou a Pequim no domingo (11/5) para a sua segunda visita oficial à China desde que assumiu seu terceiro mandato.

Ele está em visita de Estado ao presidente chinês, Xi Jinping, e participa, como convidado de honra, da cúpula China-Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Lula chega a Pequim após fazer uma viagem oficial à Rússia, onde foi recebido por Vladimir Putin, na semana passada.

A visita à China acontece em meio a um cenário de tensão internacional entre as duas maiores economias do mundo (Estados Unidos e China) e que tem respingado no Brasil.

Desde que assumiu seu segundo mandato, Trump fez ameaças e anunciou medidas que causaram reações negativas em diversas partes do mundo.

A principal delas foi a aplicação de tarifas sobre a importação de produtos de diversos países, entre eles da China e do Brasil. Trump impôs tarifas de até 140% sobre produtos chineses.

No plano diplomático, Trump tem feito acenos contra o multilateralismo e chegou a dizer acreditar que, "talvez", os países da América Latina teriam que escolher entre a China e os Estados Unidos.