Bolsonaro deixa hospital e volta para cela na PF após realizar exames na cabeça; o que se sabe

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- Author, Iara Diniz e Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo e Brasília
- Tempo de leitura: 5 min
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou exames nesta quarta-feira (7/1) no hospital DF Star, em Brasília, após ter caído na prisão e batido a cabeça na madrugada da terça-feira.
Depois dos exames, ele retornou à cela na Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos por golpe de Estado e outros crimes.
Segundo a equipe médica de Jair Bolsonaro, ele teve traumatismo cranioencefálico.
Os exames mostraram uma "leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita", sem necessidade de intervenção.
A remoção de Bolsonaro para o hospital foi autorizada nesta quarta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da defesa. A autorização ocorreu após os advogados do ex-presidente apresentarem uma lista específica de exames a serem realizados e o local de realização.
Na terça-feira, Moraes havia vetado a ida de Bolsonaro a hospital, citando laudo da Polícia Federal que constatava que a queda resultara em ferimentos leves, "sendo indicada apenas observação".
Na nova decisão, o ministro do STF determinou que o transporte e segurança de Bolsonaro ao hospital fossem realizados pela Polícia Federal "de maneira discreta" e que o desembarque fosse feito na garagem do hospital.
CFM pede sindicância e Moraes nega
Também nesta quarta-feira, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou a instauração de uma sindicância para apurar o atendimento médico recebido por Bolsonaro e denúncias que, segundo a entidade, "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica".
Mais tarde, o ministro Alexandre de Moraes declarou nula a sindicância do CFM por "flagrante ilegalidade e desvio de finalidade" e determinou que o presidente do CFM seja ouvido pela Polícia Federal.
"A ilegalidade e ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos", escreveu Moraes na decisão.
O ministro determinou ainda que o diretor do hospital DF Star encaminhe, num prazo de 24 horas ao STF, todos os laudos e exames médicos realizados por Bolsonaro nesta quarta-feira.

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A queda
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Michelle divulgou na terça-feira, em suas redes sociais, que o ex-presidente havia caído e batido a cabeça enquanto dormia.
"Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise, caiu e bateu a cabeça no móvel", escreveu Michelle Bolsonaro nos stories do Instagram.
"Como o quarto permanece fechado, ele só recebeu atendimento quando foram chamá-lo para a minha visita. Estou com o médico aguardando o delegado para saber como foram os primeiros socorros."
A queda posteriormente foi confirmada pela Polícia Federal (PF) em nota oficial.
"O médico da Polícia Federal constatou que houve ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação", informou a PF.
Questionada pela reportagem sobre alegação de Michelle Bolsonaro de que teria havido demora no atendimento, a PF disse que o ex-presidente foi atendido logo que informou sobre a queda.
O relatório médico da Polícia Federal, enviado para o ministro Alexandre de Moraes, diz que uma equipe compareceu às 9h para avaliar o estado de saúde de Jair Bolsonaro após pedidos dos agentes de plantão.
Segundo a PF, o ex-presidente relatou ter caído da cama durante a noite enquanto dormia. Ele também informou ter tido tonturas no dia anterior e soluços intensos à noite.
Os médicos que examinaram Bolsonaro relataram que ele estava consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico, mas com uma lesão superficial na face.
A equipe médica do ex-presidente foi comunicada, segundo o relatório.
Moraes veta, depois autoriza ida a hospital
A defesa do ex-presidente acionou Moraes na terça-feira (6/1) para pedir o encaminhamento de Bolsonaro para o hospital DF Star, "a fim de viabilizar a pronta realização dos exames clínicos e de imagem necessários diante da suspeita de traumatismo craniano, prevenindo-se agravamento do quadro e resguardando-se sua integridade física".
O ministro, no entanto, negou na própria terça o pedido da defesa, argumentando não haver "nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital", citando a nota divulgada pela Polícia Federal.

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O ministro solicitou que a defesa indicasse quais exames seriam necessários para que fosse verificada a possibilidade de realização deles no sistema penitenciário.
Os advogados anexaram um pedido emitido pelo médico Brasil Ramos Caiado, solicitando com urgência a realização de três exames: tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.
Eles insistiram que Bolsonaro fosse encaminhado a um hospital particular.
"Tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica (...), sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado", argumentou a defesa.
Nesta quarta-feira, Moraes finalmente autorizou a ida de Bolsonaro ao hospital.
Prisão domiciliar foi negada
A queda durante o sono acontece quase uma semana após Bolsonaro receber alta do hospital, onde passou por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha e outros procedimentos para conter o quadro de soluços durante o Natal.
A defesa do ex-presidente chegou a encaminhar ao STF um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde de Bolsonaro poderia ser agravado pelo cumprimento da pena em regime fechado.
O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro retornou à sede da PF no dia 1º de janeiro.
A decisão foi criticada pela família Bolsonaro, que tem feito campanha para que o ex-presidente cumpra a pena em regime domiciliar.
Em uma carta compartilhada nas redes sociais, Carlos Bolsonaro disse que as medidas de Moraes "violam garantias constitucionais básicas" e que a manutenção do pai na Polícia Federal expõe Jair Bolsonaro a "riscos".















