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Ativistas dizem que ataque de drones atingiu navio humanitário rumo a Gaza: o que se sabe
Ativistas que planejavam navegar até Gaza afirmam que o navio em que estavam foi atingido por drones em águas internacionais, próximo à costa de Malta — e apontam que Israel seria o responsável pelo ataque.
A Freedom Flotilla Coalition declarou que seu navio, o The Conscience, foi alvo do ataque às 00h23 (horário local) desta sexta-feira (02/05) e emitiu um sinal de SOS logo em seguida.
O ativista brasileiro Thiago Ávila, que integra a delegação internacional, afirmou que o grupo reunia 23 ativistas de 13 países e estava em preparação para partir rumo à Faixa de Gaza.
Segundo ele, a embarcação levaria ajuda humanitária, com comida e suprimentos médicos à Faixa de Gaza.
"Temos uma delegação com dezenas de pessoas, que estavam se preparando para ir a Gaza — algumas já embarcadas no Conscience, outras que iriam embarcar — e o navio foi bombardeado algumas horas antes da partida", relatou.
"Não podemos aceitar isso em águas internacionais."
Nas redes sociais, o ativista também cobrou uma resposta imediata do governo de Malta.
"Pedimos que as autoridades forneçam toda a assistência necessária ao Conscience, considerando o risco de um novo ataque nesta noite, e garantam uma passagem segura e sem impedimentos para nossa delegação prestar apoio ao navio", escreveu.
A BBC recebeu uma gravação do chamado de emergência feita por um membro da tripulação de um petroleiro próximo. Na gravação, é possível ouvir claramente o capitão do navio relatando ataques com drones e um incêndio a bordo.
O governo de Malta afirmou que todos os ocupantes do navio estavam "confirmados como seguros" e que o incêndio foi "controlado durante a noite".
Segundo a Freedom Flotilla Coalition, o plano era seguir até Gaza com diversas pessoas a bordo — incluindo a ativista climática Greta Thunberg — para "desafiar o cerco e bloqueio ilegais impostos por Israel".
A ONG pediu que embaixadores israelenses fossem convocados para responder por "violações do direito internacional, incluindo o bloqueio contínuo e o bombardeio de nossa embarcação civil".
As Forças Armadas de Israel disseram estar investigando as denúncias do ataque.
Os organizadores afirmaram à BBC que o grupo estava "atuando em total sigilo e com blackout midiático" para evitar "sabotagens" durante os preparativos da viagem em direção a Gaza — onde cerca de dois milhões de palestinos estão sob bloqueio total imposto pelo Exército israelense há dois meses.
O voluntário Surya McEwen contou que ele e outros perderam contato com o navio após o incidente, que teria causado um incêndio e danos ao casco. Desde então, foram informados de que não houve feridos graves.
"É uma situação crítica para eles, mas estão se recuperando", disse McEwen à BBC, acrescentando que o caso foi "um ataque não provocado a uma embarcação civil em águas internacionais, que tentava cumprir uma missão humanitária".
A ativista Greta Thunberg estava entre os que planejavam embarcar no navio após sua partida para Gaza nesta sexta-feira.
Falando a jornalistas em Valeta, capital de Malta, ela declarou: "Fazia parte do grupo que deveria embarcar hoje para continuar a viagem rumo a Gaza, que é uma das várias tentativas de abrir um corredor humanitário e de fazer nossa parte para romper o bloqueio ilegal de Israel contra Gaza".
Thunberg acrescentou que, até onde sabia, o navio permanece no local do ataque, pois movê-lo poderia permitir a entrada de mais água.
"O que é certo é que nós, ativistas de direitos humanos, continuaremos a fazer tudo ao nosso alcance para cumprir nosso papel, exigir uma Palestina livre e a abertura de um corredor humanitário", afirmou.
O governo de Malta informou que havia 12 tripulantes e quatro ativistas a bordo, enquanto a ONG afirma que o total era de 30 ativistas.
A Freedom Flotilla Coalition divulgou um vídeo mostrando um incêndio no navio e afirmou que o ataque pareceu ter como alvo o gerador, deixando a embarcação sem energia e em risco de afundar.
Há dois meses, Israel fechou todas as passagens para Gaza — impedindo a entrada de alimentos, combustíveis e medicamentos — e depois retomou sua ofensiva militar, encerrando um cessar-fogo de dois meses com o Hamas.
Algumas organizações humanitárias, como o Programa Mundial de Alimentos (WFP), afirmam já ter esgotado seus estoques. Cozinhas comunitárias alertam que os mantimentos restantes estão acabando rapidamente. Nesta sexta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que a resposta humanitária em Gaza está "à beira do colapso total".
O Exército de Israel lançou uma campanha para destruir o Hamas após um ataque sem precedentes em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 pessoas feitas reféns.
Segundo o ministério da Saúde controlado pelo Hamas em Gaza, pelo menos 52.418 pessoas foram mortas no território desde o início da guerra.
Com informações de Barbara Tasch, Alice Cuddy, Tom Bateman, Alice Cuddy e BBC Verify