Colômbia recua em aviões com deportados e EUA suspendem aumento de tarifas

Pessoas entrando em avião militar

Crédito, Governo dos EUA

Legenda da foto, A secretária de imprensa de Trump, Karoline Leavitt, postou esta foto no X em 24 de janeiro anunciando que os voos de deportação haviam começado
Tempo de leitura: 5 min

Os EUA não seguirão adiante com aumento de tarifas para produtos importados da Colômbia, depois que o governo colombiano concordou em aceitar sem restrições o retorno de imigrantes deportados, diz a Casa Branca.

Donald Trump ordenou tarifas de 25% sobre todos os produtos colombianos depois que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, proibiu dois voos militares de deportação dos EUA de pousarem no país no domingo (26/1).

No fim de semana, o Brasil também se queixou do tratamento dispensado a brasileiros deportados pelos EUA, que chegaram a Manaus algemados em um avião de deportação.

Petro respondeu inicialmente à ameaça de Trump dizendo que seu país aceitaria cidadãos repatriados em "aviões civis, sem tratá-los como criminosos".

Posteriormente, uma declaração da Casa Branca afirmou que a Colômbia concordou em aceitar imigrantes que chegam em aeronaves militares dos EUA "sem limitação ou atraso". A Colômbia disse que um diálogo seria mantido para "garantir a dignidade de nossos cidadãos".

A Casa Branca saudou o acordo com a Colômbia como uma vitória para a abordagem linha-dura de Trump, depois que os dois líderes do país trocaram ameaças nas redes sociais no domingo.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia disse que havia "superado o impasse" com os EUA poucas horas depois que Petro publicou um longo post no X condenando o que ele chamou de "bloqueio" de Trump.

O impasse começou quando Petro negou a entrada na Colômbia de voos de deportação militar dos EUA, dizendo que os imigrantes deveriam retornar "com dignidade e respeito".

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Em resposta, Trump anunciou "medidas retaliatórias urgentes e decisivas" em uma publicação em seu site de mídia social Truth Social, incluindo tarifas e sanções de visto.

Petro respondeu no X com uma publicação anunciando suas próprias tarifas e celebrando a herança da Colômbia.

"Seu bloqueio não me assusta, porque a Colômbia, além de ser o país da beleza, é o coração do mundo", disse ele.

Em poucas horas, os dois lados pareciam ter resolvido a disputa, e a Casa Branca disse que a Colômbia havia concordado com "todas as exigências do presidente Trump".

As tarifas propostas por Trump estão "totalmente redigidas" e podem ser implementadas se a Colômbia não honrar o acordo, segundo a Casa Branca.

Além do aumento de tarifas, Trump também ameaçou com sanções de visto e inspeções aprimoradas em colombianos na fronteira. Elas permanecerão em vigor "até que o primeiro avião de deportados colombianos seja devolvido com sucesso", disse a Casa Branca.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Luis Gilberto Murillo, disse que o país "continuaria a receber colombianos que retornam como deportados, garantindo condições decentes, como cidadãos sujeitos a direitos".

O avião presidencial de Petro foi preparado para facilitar o retorno dos colombianos que teriam chegado ao país antes nos voos militares bloqueados, ele acrescentou.

Murillo viajará para Washington para reuniões de alto nível nas próximas horas, de acordo com uma declaração do Ministério das Relações Exteriores.

Donald Trump

Crédito, Getty Images

A disputa entre os países ocorreu depois que o governo Trump prometeu realizar "deportações em massa". O presidente assinou várias ordens executivas relacionadas à imigração em seu primeiro dia no cargo.

Algumas das ordens executivas de Trump foram assinadas com o objetivo de expandir a capacidade da agência de imigração dos EUA (ICE, em inglês) de prender e deter migrantes ilegais em solo americano.

Agentes federais realizaram prisões de imigração "direcionadas" em Chicago no domingo, disse um porta-voz do ICE em um comunicado.

Os agentes estavam acompanhados pelo recém-nomeado "czar da fronteira" Tom Homan, disseram autoridades dos EUA à CBS News.

Homan disse que o Congresso deveria aumentar o financiamento para o esforço de fronteira, que incluía a necessidade de 100 mil leitos em centros de detenção de migrantes.

Na quinta-feira, o Congresso dos EUA aprovou a Lei Laken Riley, que expandirá muito o poder das autoridades de imigração de deter migrantes.

A congressista democrata Alexandria Ocasio-Cortez disse que o projeto de lei representa uma "erosão fundamental dos direitos civis".

Gustavo Petro

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O presidente da Colômbia, Gustavo Petro

Os EUA normalmente enviam deportados em aviões semelhantes a jatos comerciais operados por seu serviço de imigração (ICE). Porém, após Trump assinar uma ordem executiva permitindo que os militares ajudem a proteger a fronteira, as Forças Armadas dos EUA passaram a fornecer aviões em apoio às ações de deportação.

Mas os aviões militares só podem pousar em outros países com a anuência dos receptores — autorização que a Colômbia não concedeu.

Deportados no Brasil

Pessoas se abraçam em aeroporto

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Brasileiros deportados dos EUA chegaram a Belo Horizonte; em voo dos EUA a Manaus, alguns foram algemados, segundo governo brasileiro

O embate entre os governos de Colômbia e EUA ocorre em um momento em que o Brasil também se queixa pelo tratamento a brasileiros deportados dos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou no sábado (25/01) o "tratamento degradante" dispensado a alguns de seus cidadãos que foram deportados e algemados em um voo comercial.

Em nota, o governo brasileiro disse que "considera inaceitável que as condições acordadas com o governo norte-americano não sejam respeitadas".

Ao chegar ao Brasil, alguns passageiros também relataram maus-tratos durante o voo.

O avião, que transportava 88 passageiros brasileiros e pousou em Manaus, também incluía 16 agentes de segurança dos EUA e oito tripulantes.

O Judiciário brasileiro ordenou que as algemas dos deportados fossem removidas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um avião da Força Aérea Brasileira para completar a viagem até Belo Horizonte.

O voo foi o segundo deste ano transportando imigrantes ilegais deportados dos EUA para o Brasil e o primeiro desde a posse de Trump, de acordo com a Polícia Federal brasileira.