As dezenas de corpos recolhidos por moradores após operação no Rio
O Rio de Janeiro viveu sua ação policial mais letal da história na terça (28/10). Segundo informações oficiais da polícia, 121 pessoas morreram — incluindo quatro policiais — durante a operação contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha.
Durante a madrugada desta quarta-feira (29/10), moradores da região carregaram pelo menos 50 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, para que eles pudessem ser identificados.
“Eu só quero tirar meu filho daqui e enterrar, sabe por causa de quê? Não vai dar em nada, a verdade é essa. Não vai dar em nada. Porque aqui tem um montão de gente chorando, mas lá fora tem um monte de gente aplaudindo isso aí que eles fizeram. Isso aí foi uma chacina”, disse Taua Brito, mãe de uma das pessoas mortas na operação.
Muitos desses mortos não estavam no balanço inicial divulgado pelo governo na terça-feira.
Segundo o delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil do Rio, moradores teriam tirado a roupa de alguns dos corpos que foram levados à praça.
"Eles estavam na mata, nós temos imagens deles todos paramentados, com roupas camufladas, com colete balístico, portando essas armas de guerra. Aí apareceram vários deles só de cuecas ou só de shorts, descalços, sem nada. Parece que eles entraram num portal e trocaram de roupa", disse Curi, afirmando que a Polícia Civil vai instaurar um inquérito para investigar fraude processual.
Movimentos de direitos humanos classificaram a operação policial como chacina e questionam sua eficácia como política de segurança.
O grande número de mortos também foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse "horrorizado" com a operação nas favelas.
Já o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), disse que a ação foi "a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro" e que "de vítimas, só tivemos os policiais".
A operação envolveu 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão em uma área de 9 milhões de metros quadrados.



