Hamas diz que líderes sobreviveram a ataque de Israel no Catar; o que se sabe

Fumaça atrás de prédio

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Após ataque de Israel foi possível ver colunas de fumaça na capital do Catar, Doha
Tempo de leitura: 2 min

O grupo palestino Hamas informou que as lideranças de sua equipe diplomática de negociação sobreviveram ao ataque de Israel realizado nesta terça-feira (9/9) em Doha, capital do Catar.

"Confirmamos o fracasso do inimigo em assassinar nossos irmãos da delegação de negociação", disse o Hamas em comunicado oficial.

Segundo o grupo, outras seis pessoas morreram, entre elas o filho de um de seus principais negociadores, Khalil al-Hayya.

"O ataque não deixa dúvidas que Netanyahu e seu governo não querem fazer nenhum acordo", acrescenta o comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que não foi notificado por Israel sobre o ataque antes dele ocorrer e que o episódio é uma "violação flagrante" do direito internacional.

"O Estado do Catar condena veementemente este ataque e afirma que não tolerará esse comportamento imprudente de Israel e a contínua interferência na segurança da região, nem qualquer ação contra sua segurança e soberania", afirma a declaração do Catar.

Já a Casa Branca confirmou que o governo americano foi avisado sobre o ataque antes dele ser lançado.

A secretária de imprensa Karoline Leavitt disse que o ataque "não contribui para os objetivos israelenses ou americanos", mas que o presidente Donald Trump considera que eliminar o Hamas "é um objetivo válido".

Leavitt destacou que o Catar é um "aliado próximo" dos Estados Unidos e que Trump "se sente muito mal" com o local escolhido para o ataque.

A embaixada americana no Catar emitiu uma nota pedindo aos cidadãos americanos que se abriguem onde estiverem e monitorem suas redes sociais para atualizações após os ataques.

'Operação totalmente independente', diz Israel

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O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que "a ação de hoje contra os principais líderes terroristas do Hamas foi uma operação israelense totalmente independente".

"Israel iniciou, Israel conduziu e Israel assume total responsabilidade", afirma o premiê em um comunicado.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram que "realizaram um ataque preciso contra a alta liderança da organização terrorista Hamas".

Em nota oficial, as FDI disseram: "Durante anos, esses membros da liderança do Hamas lideraram as operações da organização terrorista, foram diretamente responsáveis ​​pelo brutal massacre de 7 de outubro [de 2023] e orquestraram e administraram a guerra contra o Estado de Israel".

"Antes do ataque, medidas foram tomadas para mitigar os danos a civis, incluindo o uso de munições de precisão e inteligência adicional", afirma a nota.

"As FDI e a ASI [a agência de segurança de Israel] continuarão a operar com determinação para derrotar a organização terrorista Hamas responsável pelo massacre de 7 de outubro."

O ministro das Finanças israelense, o político de direita radical Bezalel Smotrich, disse que o ataque de hoje em Doha demonstra que "terroristas não têm e não terão imunidade" em nenhum lugar do mundo.

Ele considera o ataque a "decisão correta" e afirma que houve "execução perfeita" pelos serviços militares e de contrainteligência israelenses.

A equipe de negociação do Hamas está sediada em Doha. O Hamas e Israel estão envolvidos em um sangrento conflito desde outubro de 2023, quando o grupo palestino atacou Israel e tomou reféns. Desde então, Israel lançou uma campanha militar contra a Faixa de Gaza, provocando mortes, deslocamentos e fome em grande escala.