Afegão que solicitava asilo atropela multidão em Munique, segundo polícia; o que se sabe

Crédito, Getty Images
Um homem atingiu um grupo de pessoas com um carro em um comício de um sindicato de trabalhadores em Munique, na Alemanha, nesta quinta-feira (13/2), deixando pelo menos 28 feridos — alguns em estado grave. Há relatos de que muitos no protesto haviam trazido seus filhos para a passeata.
A polícia diz que o motorista era um afegão de 24 anos que estava em processo de solicitação de asilo. Ele era conhecido da polícia por roubo e crimes relacionados a drogas.
A imprensa alemã identificou o suspeito como Farhad N - a BBC e os veículos alemães não podem publicar o nome completo devido às leis locais de privacidade.
Segundo a polícia, há evidências de que o homem tenha "antecedentes extremistas".
Ele teria chegado à Alemanha em 2016. Seu pedido de asilo foi rejeitado, mas sua deportação foi suspensa.
A BBC Verify, o serviço de verificação da BBC, encontrou perfis no Facebook, Instagram e Tiktok de alguém de Cabul, no Afeganistão, que mora em Munique com o mesmo nome que Farhad N.
Embora não se possa ter certeza de que se trata da mesma pessoa, os perfis já foram removidos, o que normalmente acontece quando um suspeito é identificado.
Há imagens dele parado ao lado de um Mini Cooper branco – o mesmo tipo de carro retratado no local do ataque.
Sua biografia no Instagram diz que ele é um modelo fitness e suas postagens mostram uma paixão pela musculação.
Ele postou conteúdo apoiando os rebeldes que lutam contra o Talebã no Afeganistão. Em vários posts ele diz que gostaria que as meninas afegãs pudessem voltar à escola.
Não foram encontradas provas de conteúdo jihadista.
Momento sensível na Alemanha
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O incidente ocorreu na Seidlstrasse, no centro de Munique — a terceira maior cidade da Alemanha.
O primeiro-ministro do Estado da Baviera, Markus Söder, disse que se trata provavelmente de um ataque deliberado. A polícia atirou contra o veículo do suspeito depois que ele acelerou e atingiu as pessoas.
Há relatos de que haveria um segundo passageiro no carro, mas a polícia alemã não confirmou.
O incidente acontece poucos dias antes de uma eleição nacional na Alemanha, em que imigração é um dos temas fundamentais. Os alemães irão às urnas no dia 23 de fevereiro.
Uma série de ataques ligados a migrantes durante o último ano levaram a um aumento do apoio ao partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
O incidente também aconteceu horas antes de o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegarem à cidade para a Conferência de Segurança de Munique — mas a polícia diz que não acredita que haja relação com esse fato.
'Sensação de pavor'
Um veículo da polícia estava acompanhando o protesto do sindicato em Munique, segundo o porta-voz da polícia da cidade, Christian Huber.
"Um veículo se aproximou e ficou atrás do veículo da polícia. Ele então se moveu para ultrapassar, acelerou e chegou ao fim do protesto."
"Colegas [da polícia] pegaram o agressor. Um tiro foi disparado contra o veículo. O agressor foi preso. No momento, estimamos que temos pelo menos 28 pessoas feridas, algumas gravemente."
"O número exato ainda não foi determinado. Quanto ao agressor, o que podemos dizer é que ele é um afegão de 24 anos, com status de solicitante de asilo."
A correspondente da BBC News em Berlim, Jessica Parker, diz que "em toda a Alemanha, as pessoas devem ter sentido uma sensação familiar de pavor ao ouvir esses relatos iniciais".
Em 2016, um tunisiano que teve seu pedido de asilo rejeitado e era conhecido por seu ativismo jihadista matou 13 pessoas com um caminhão em um mercado de Natal em Berlim.
Em dezembro, um saudita de 50 anos crítico do islamismo atropelou diversas pessoas em um mercado de Natal na cidade de Magdeburg. Seis pessoas morreram e cerca de 300 ficaram feridas.
Magdeburg foi o mais mortal em uma série de ataques no último ano na Alemanha, envolvendo suspeitos que eram requerentes de asilo.
Isso intensificou um debate sobre migração já tenso na Alemanha, que irá às urnas no domingo da próxima semana, segundo Parker.
O chanceler alemão Olaf Scholz, que concorre na eleição alemã, disse que o suspeito afegão preso em Munique "deve ser punido" e "deve deixar o país".
"Este perpetrador não pode esperar nenhuma clemência. Ele deve ser punido e deve deixar o país", disse Scholz aos repórteres, segundo da agência de notícias Reuters.
"Se foi um ataque, devemos tomar medidas consistentes contra possíveis perpetradores com todos os meios de justiça", acrescenta.















