A bailarina russa que pode pegar 15 anos de prisão por doar US$ 50 a ONG pró-Ucrânia

Crédito, Divulgação do Tribunal de Sverdlovsk via Reuters
- Author, Malu Cursino
- Role, BBC News
- Tempo de leitura: 3 min
A bailarina Ksenia Karelina, de nacionalidade russo-americana, se declarou culpada das acusações de traição perante a Justiça russa, após ter sido presa por doar dinheiro para uma instituição de caridade que apoia a Ucrânia.
Os promotores russos estão pedindo uma pena de 15 anos de prisão, depois que os serviços de segurança acusaram Karelina de arrecadar dinheiro que foi usado para comprar suprimentos táticos para o Exército ucraniano.
Ela está sendo julgada em um tribunal na cidade de Yekaterinburg, a cerca de 1.600 km a leste de Moscou, onde foi detida pelas autoridades após fazer uma visita a familiares em fevereiro.
E se declarou culpada das acusações uma semana após a Rússia e o Ocidente realizarem a maior troca de prisioneiros desde a Guerra Fria, que envolveu 24 pessoas detidas em sete países diferentes.
O advogado de Karelina, Mikhail Mushailov, disse que a pena de 15 anos de prisão em uma colônia penal, solicitada pelos promotores, era muito severa, uma vez que a ré havia cooperado com a investigação.
Mushailov também explicou que era "impossível" Karelina ter sido incluída na recente troca de prisioneiros, uma vez que a troca só pode acontecer a partir do momento em que a decisão do tribunal entra em vigor.
"Após o veredito, é claro, vamos trabalhar nessa direção", disse Mushailov a jornalistas nesta quinta-feira (8/8).
Moradora de Los Angeles, nos EUA, Karelina vivia fora da Rússia há vários anos, e obteve cidadania americana em 2021.
Ela viajou para a Rússia para visitar a família em janeiro e, desde então, foi impedida de retornar para sua casa em Los Angeles.
Os investigadores apresentaram a acusação de traição após descobrirem que ela havia doado cerca de US$ 50 (R$ 280) para a Razom, uma instituição de caridade que apoia a Ucrânia.
A instituição disse que ficou "chocada" ao saber da prisão da bailarina amadora.

Crédito, Reuters
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O julgamento de Karelina acontece depois que o presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto, em abril do ano passado, aumentando a pena máxima para traição, que era de 20 anos, para prisão perpétua, como parte de uma repressão à dissidência.
Em conversa com a BBC na época da prisão de Karelina, o namorado dela, Chris Van Heerden, contou que ela tinha "orgulho de ser russa" — e estava confiante de que poderia viajar pelo país.
Ele tem feito campanha desde que a prisão foi anunciada para que o governo americano liberte sua namorada da detenção russa.
O FSB — serviço de inteligência da Rússia, sucessor da antiga KGB — afirmou que Karelina foi detida em fevereiro, em Yekaterinburg, a mesma cidade em que o jornalista americano Evan Gershkovich foi preso sob acusações de espionagem em 29 de março do ano passado.
Em 1º de agosto, Gershkovich foi um dos 16 prisioneiros libertados e que voltaram à Europa e aos EUA, em troca de oito prisioneiros russos que foram libertados de prisões nos EUA, na Noruega, Alemanha, Polônia e Eslovênia.















