'Assassino do Twitter' que guardava cabeças de vítimas é executado no Japão

Homem em carro policial cobrindo seu rosto

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Takahiro Shiraishi, fotografado em uma viatura policial em 2017, fez contato com suas vítimas nas redes sociais e as atraiu para seu apartamento
    • Author, Kelly Ng
    • Role, Da BBC News
    • Reporting from, Singapore
  • Tempo de leitura: 3 min

O governo do Japão executou um homem que assassinou nove pessoas em 2017 — a primeira vez desde 2022 que o país utiliza a pena de morte contra alguém.

Os assassinatos em série cometidos por Takahiro Shiraishi, apelidado de "assassino do Twitter", chocaram o país e geraram um debate sobre como o suicídio é discutido online.

Shiraishi, então com 30 anos, atraiu suas vítimas — a maioria delas do sexo feminino, entre 15 e 26 anos — para seu apartamento, antes de estrangulá-las e desmembrá-las.

Os assassinatos vieram à tona em outubro de 2017, quando a polícia encontrou partes de corpos no seu apartamento na cidade de Zama, perto de Tóquio, enquanto procuravam por uma das vítimas.

Aviso: Os leitores podem achar alguns detalhes desta história perturbadores.

Shiraishi mais tarde admitiu ter assassinado nove vítimas e revelou que as conheceu no Twitter, a plataforma de mídia social agora conhecida como X. As vítimas teriam manifestado a intenção de se suicidar.

Ele disse que poderia ajudá-las a morrer e, em alguns casos, afirmou que se mataria junto com elas.

Seu perfil no Twitter continha as seguintes palavras: "Quero ajudar pessoas que estão realmente sofrendo. Por favor, me enviem uma mensagem direta a qualquer momento."

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Nove corpos desmembrados foram encontrados em refrigeradores e caixas de ferramentas quando os policiais visitaram seu apartamento.

A mídia japonesa chamou o lugar de "casa dos horrores" depois que os investigadores descobriram nove cabeças junto a um grande número de ossadas com braços e pernas escondidos em refrigeradores e caixas de ferramentas.

Os promotores pediram a pena de morte para Shiraishi, mas seus advogados defendiam a acusação menor de "assassinato com consentimento", alegando que suas vítimas haviam dado permissão para serem mortas.

Os advogados também pediram uma avaliação de seu estado mental.

Mais tarde, Shiraishi contestou a versão dos eventos apresentada por sua própria equipe de defesa e disse que matou sem o consentimento das vítimas.

Centenas de pessoas compareceram à audiência do veredito em dezembro de 2020, quando ele foi condenado à morte.

Os assassinatos também provocaram uma mudança no Twitter, que alterou suas regras para declarar que os usuários não devem "promover ou encorajar suicídio ou automutilação".

O ministro da Justiça do Japão, Keisuke Suzuki, que disse ter ordenado a execução de Shiraishi, afirmou que o assassino agiu "pela razão genuinamente egoísta de satisfazer seus próprios desejos sexuais e financeiros", de acordo com uma reportagem da AFP.

O caso "causou grande choque e ansiedade à sociedade", disse Suzuki.

O pai de uma vítima que tinha 25 anos disse ao tribunal em 2020 que nunca perdoaria Shiraishi, "mesmo se ele morrer", segundo a emissora japonesa NHK.

"Mesmo agora, quando vejo uma mulher da idade da minha filha, eu a confundo com minha filha. Essa dor nunca vai embora. Devolvam ela para mim", ele disse.

Os assassinatos chocaram o Japão, desencadeando um novo debate sobre sites onde o suicídio é discutido.

Na época, o governo indicou que poderia criar novas leis sobre o tema.

*Caso seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou caso você tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:

- O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento ao redor do Brasil;

- Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;

- Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);

- Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;

- Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h;

- Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil.

- Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.